Autoescolas já oferecem pacotes a partir de R$ 240 para tirar a CNH

Aulas práticas reduzidas e curso teórico online gratuito reduzem o preço da CNH no Brasil.

Tirar a CNH ficou mais simples e, em muitos casos, bem mais barato. Um novo modelo da Carteira Nacional de Habilitação passou a valer no início de dezembro, trazendo curso teórico gratuito pela plataforma do governo e mudanças profundas na formação dos candidatos.

A principal virada está nas aulas práticas, cujo mínimo caiu de 20 para apenas 2. A flexibilização abriu espaço para formatos mais enxutos, sem eliminar as etapas teóricas e práticas exigidas em todo o país.

A proposta busca reduzir custos sem comprometer a avaliação final; mesmo assim, as provas continuam obrigatórias.

Com as novas regras, autoescolas já ajustaram seus preços. Um levantamento da EXAME mostra pacotes com preços bem baixos, variando conforme o número de aulas e o tipo de plano. Em São Paulo, há ofertas que incluem carro e moto por menos de R$ 700, com uso do veículo na prova.

O que mudou no processo de habilitação

O governo retirou a exigência de matrícula em autoescola para iniciar a obtenção da CNH, abrindo caminho para mais autonomia. Além disso, o candidato pode escolher entre fazer as aulas práticas em uma autoescola ou com um instrutor autônomo credenciado pelo Detran.

O curso teórico presencial saiu de cena, e o conteúdo passou a ficar disponível online, de forma gratuita, em uma plataforma oficial.

Em paralelo, as avaliações teórica e prática continuam valendo como etapas obrigatórias. Portanto, o treinamento prático reduzido exige um planejamento extra do candidato para alcançar a aprovação.

Segundo o Planalto, 16 estados já operam o novo fluxo, enquanto os demais ajustam sistemas ou questionam a decisão na Justiça.

O que incluem os pacotes das autoescolas

Para competir, as autoescolas criaram pacotes com comunicação que destaca a CNH do Brasil e definem preços por número de aulas. Em geral, variam de 2 a 10 aulas entre as consultadas.

Além disso, incluem aluguel de carro para o exame, embora o aluno possa levar veículo próprio ou usar o do instrutor autônomo.

A reinvenção também visa reduzir a fricção do processo. Assim, muitas oferecem auxílio para cadastro no Detran, marcação de exames e apoio até a emissão da CNH.

Desde o anúncio até a efetivação das regras, a demanda caiu acentuadamente. Segundo o presidente da Federação Nacional das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores (Feneauto), Ygor Valença, algumas empresas encerraram suas atividades por falta de candidatos.

Preços e exemplos divulgados

Anúncios em perfis no Instagram de oito autoescolas mostram uma disputa de preços. Em uma empresa, os valores variam de R$ 240 no plano básico a R$ 1,1 mil nos pacotes premium ou ouro.

Uma oferta específica em São Paulo cobra R$ 699 por aulas de carro e moto, com direito ao veículo cedido para a prova prática.

Imagem: Divulgação

Disputas judiciais e posicionamentos

A Feneauto prepara questionamentos ao novo modelo, com apoio de alguns Detrans estaduais.

O Detran do Mato Grosso conseguiu na 3ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de Mato Grosso uma decisão que suspendia a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). No entanto, o TRF-1 decidiu na última terça-feira (23/12), derrubar essa decisão e manter a norma vigente.

As entidades do setor também planejam novas ações contra a figura do instrutor autônomo e contra o curso teórico gratuito. Parte dos Detrans e das autoescolas que contestam as mudanças estuda medidas adicionais para tentar reverter pontos centrais da política.

O cenário abre espaço para mais escolhas do consumidor e modelos de serviço sob medida, mas também exige atenção à segurança e à qualidade do treinamento. Portanto, compare pacotes, verifique a reputação dos fornecedores e acompanhe os desdobramentos jurídicos.

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