Gasolina ou etanol: qual realmente vale a pena abastecer em 2026?
Mudança nos preços altera a lógica do etanol e da gasolina neste início de ano.
O início de 2026 trouxe um cenário mais desafiador para quem depende do carro no dia a dia. O motorista brasileiro já sente no bolso os impactos da variação nos preços dos combustíveis, especialmente do etanol hidratado, que perdeu competitividade em grande parte do país.
Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que o biocombustível começou o ano em trajetória de alta, mudando a lógica de abastecimento em diversos estados e reacendendo o debate: afinal, etanol ou gasolina, qual compensa mais agora?
Etanol perde competitividade nos postos no começo de 2026

Foto: Shutterstock
De acordo com o levantamento mais recente da ANP, referente à semana encerrada em 3 de janeiro, o preço do etanol subiu em 15 estados brasileiros. Com isso, o biocombustível deixou de ser a alternativa mais econômica em boa parte do território nacional.
Na média nacional, o etanol passou a custar R$ 4,49, representando uma alta de 0,22% em relação à semana anterior. Os números foram compilados pelo AE-Taxas e revelam um dado preocupante para quem prioriza economia: apenas um estado mantém o etanol como a opção financeiramente mais vantajosa.
Onde o etanol ainda vale a pena?
Mesmo com o avanço dos preços, algumas regiões se destacam, para o bem ou para o mal, no mapa dos combustíveis:
- Mato Grosso do Sul: segue como o único estado onde o etanol ainda compensa, com preço médio de R$ 4,00 e paridade de 67,34% em relação à gasolina.
- São Paulo: o valor do etanol permaneceu estável em R$ 4,28, mas a relação de preços ainda favorece o uso da gasolina para a maioria dos veículos.
- Amazonas: registra o etanol mais caro do Brasil, com média de R$ 5,49, tornando o abastecimento com o biocombustível pouco atrativo.
Esse cenário reforça a importância de analisar não apenas o preço absoluto, mas também a relação de custo-benefício entre os combustíveis.
A regra dos 70% ainda é válida?
A chamada regra dos 70% continua sendo a principal referência para o consumidor. Como o etanol possui menor poder calorífico, ele só costuma ser vantajoso quando custa até 70% do preço da gasolina.
Atualmente, a paridade média nacional está em 72,19%, o que, na teoria, favorece a gasolina. No entanto, especialistas fazem uma ressalva importante.
Tecnologia flex mudou o jogo
Com a evolução dos motores flex, muitos modelos mais novos apresentam melhor eficiência energética com etanol. Isso significa que, em alguns casos, o biocombustível pode compensar mesmo com a paridade ligeiramente acima dos 70%, especialmente em veículos bem ajustados e de uso urbano.
Como fazer a conta rápida antes de abastecer
Para evitar erros e garantir economia, o motorista pode recorrer a dois cálculos simples diretamente na bomba:
✔️ Divisão direta
- Divida o preço do etanol pelo preço da gasolina.
- Resultado igual ou menor que 0,70 → Etanol vale a pena
- Resultado acima de 0,70 → Gasolina é a melhor escolha
✔️ Multiplicação rápida
- Multiplique o preço da gasolina por 0,7.
- Se o valor do etanol for menor que o resultado, ele compensa.
Exemplo prático:
- Gasolina a R$ 6,00 × 0,7 = R$ 4,20
- Etanol a R$ 4,10 → escolha o etanol
- Etanol a R$ 4,30 → prefira a gasolina
Atenção redobrada em 2026
Com a oscilação dos preços e as diferenças regionais cada vez mais evidentes, acompanhar os dados da ANP e fazer a conta antes de abastecer deixou de ser opcional. Em 2026, a economia no posto depende menos de hábitos antigos e mais de informação, cálculo e tecnologia.
Para o motorista brasileiro, a regra é clara: preço baixo nem sempre significa vantagem, e alguns segundos de conta podem representar uma grande economia no fim do mês.