Adesivo para identificar recém-habilitado, idoso e PCD é coisa séria no Japão (ao contrário do Brasil)

No Japão, adesivos padronizados no trânsito promovem respeito.

No Japão, a comunicação no trânsito começa antes mesmo de o carro se mover. Símbolos discretos colados na lataria avisam quem está ao volante e orientam o comportamento dos demais motoristas, resultando em uma convivência baseada em antecipação e respeito mútuo.

Esses emblemas são oficiais, padronizados e previstos em lei. Eles identificam condutores iniciantes, idosos e pessoas com deficiência, funcionando como alertas visuais claros.

A proposta é simples: reduzir riscos, estimular a paciência e evitar conflitos desnecessários nas vias.

No Brasil, o cenário segue outro caminho. Sem respaldo normativo, muitos recém-habilitados recorrem a frases improvisadas coladas no vidro, mais como apelo do que como sinalização efetiva.

A comparação expõe duas culturas opostas: uma que organiza a convivência pelo sistema e outra que transfere ao indivíduo a tentativa de se proteger no trânsito.

Como funcionam os adesivos no Japão

O selo para novatos, o Shoshinsha Mark, também chamado de Wakaba Mark, traz as cores verde e amarelo em formato de folha estilizada. Nesse caso, condutores com menos de um ano de habilitação precisam ostentá-lo. O motorista deve fixá-lo na dianteira e na traseira do veículo.

As orientações oficiais pedem que condutores experientes mantenham maior distância e evitem manobras agressivas perto desses carros. Como resultado, o condutor ganha margem para erro e aprendizado.

A legislação do Japão também prevê punições para quem hostiliza ou desrespeita motoristas identificados como iniciantes.

Idosos e pessoas com deficiência

O Koreisha Mark identifica motoristas idosos e alerta para reflexos possivelmente mais lentos ou condução mais cautelosa. O reconhece nacionalmente o símbolo, o que facilita a leitura e permite que os demais condutores ajustem o comportamento e reduzam conflitos.

Há ainda um adesivo específico para condutores com deficiência, voltado a limitações físicas ou condições particulares. A sinalização reforça empatia e diminui situações de estresse.

Assim, regulamentação, padronização e amplo respeito consolidam esse conjunto como parte da cultura de trânsito do Japão.

Retrato brasileiro e lacunas legais

No Brasil, não existe adesivo oficial para identificar iniciantes ou idosos durante a circulação. A legislação, porém, reconhece o símbolo internacional de acesso para vagas de estacionamento de pessoas com deficiência e o adesivo informativo de condutor surdo.

Ainda assim, nenhuma dessas marcas indica o perfil do condutor em movimento.

Diante desse vazio regulatório, muitos recém-habilitados colam mensagens como “motorista recém-habilitado” ou “tenha paciência”. No entanto, esses avisos não conferem proteção adicional nem impõem deveres aos demais. Em geral, funcionam como apelos informais em um trânsito pouco previsível.

O contraste entre padronização japonesa e improviso brasileiro destaca caminhos distintos para promover previsibilidade e cortesia. Enquanto um país integra educação, lei e cultura, o outro ainda enfrenta uma lacuna normativa que limita a efetividade desses sinais no dia a dia.

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