Sinal de retomada? Brasil atinge 2,6 milhões de veículos produzidos em 2025

Indústria brasileira produz 2,644 milhões de veículos e exportações avançam 32,1%.

Depois de anos de oscilação, as montadoras voltaram a respirar com mais fôlego no Brasil. Em 2025, a produção nacional de veículos atingiu 2,644 milhões de unidades, conforme balanço divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O resultado representa crescimento de 3,5% sobre o ano anterior. Apesar disso, o desempenho ficou abaixo da projeção inicial de 7,8% traçada pela entidade.

Mesmo com a meta não alcançada, o volume fabricado é o maior desde 2019 e reforça o processo de retomada do setor. Em 2024, a indústria havia produzido 2,553 milhões de veículos, número que já indicava recuperação após períodos mais difíceis.

O avanço gradual sinaliza melhora no consumo, na oferta de crédito e na confiança do mercado interno.

O histórico recente ajuda a entender esse movimento. Em 2023, o segmento havia recuado 1,9%, interrompendo uma sequência positiva iniciada em 2016. No ano seguinte, porém, ocorreu um salto de 10%, abrindo caminho para o novo crescimento registrado em 2025.

Fluxo externo: exportações e importações

O resultado de 2025 reflete demanda mais estável e calendário industrial em normalização. Enquanto isso, fábricas de marcas como a Volkswagen sustentam o ritmo de montagem no país.

As vendas externas atingiram 528.827 veículos em 2025, contra 400.238 em 2024, o que representa incremento de 32,1%. O desempenho configura o melhor desde 2018. Como resultado, a balança do setor terminou com exportações 6,2% acima das importações.

As importações somaram 497.765 veículos em 2025, maior volume em 11 anos; em 2014, foram 617.023. A China assumiu protagonismo em julho de 2025, embora não tenha fechado o ano na liderança.

Ainda assim, a distância do país asiático para a Argentina encolheu consideravelmente. A China respondeu por 37,6% das importações do Brasil no ano passado, impulsionada pela estreia de seis marcas chinesas no mercado local.

Política industrial e perspectivas

A Anfavea vê com cautela planos de montagem local via kits CKD e SKD, adotados por algumas novas marcas. Segundo a entidade, o modelo pode se beneficiar de isenções temporárias para veículos eletrificados, tema que já gerou atritos com a BYD.

As alíquotas para elétricos e híbridos subirão até janeiro de 2027, quando chegarão a 35%, substituindo o plano que ia até julho de 2028. Além disso, regras criaram cotas de US$ 463 milhões para CKD e SKD, com imposto zero até janeiro de 2026 ou até o limite. Porém, a entidade teme eventual prorrogação dessas cotas.

Diferentemente do otimismo de 2024, quando se esperava alta próxima de 7,8% para 2025, a Anfavea agora projeta crescimento de 3,7% em 2026. Assim, a associação adota um cenário conservador diante do desempenho mais moderado observado.

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