Não adianta ‘dirigir na banguela’ para economizar gasolina, a multa pode ser mais cara
Prática comum entre motoristas pode comprometer sua segurança e pesar no bolso.
Muitos motoristas ainda acreditam que dirigir na banguela durante uma descida é uma maneira eficiente de reduzir o consumo de combustível. Apesar de ser um hábito antigo, essa prática deixou de fazer sentido nos veículos modernos e pode trazer consequências que vão muito além da falsa economia.
Além de aumentar os riscos de acidentes, conduzir o veículo em ponto morto ou com o motor desligado pode resultar em multa, pontos na CNH e até retenção do automóvel. Entender o que determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é essencial para evitar prejuízos e dirigir com mais segurança.
O que o Código de Trânsito Brasileiro determina?

Dirigir em ponto morto pode gerar multa e aumentar o consumo (Foto: Divulgação)
O CTB considera infração trafegar com o veículo desengrenado em declives. A regra está prevista no artigo 231, inciso IX, que proíbe circular em ponto morto ou com o motor desligado durante descidas.
O motivo é simples: nessa condição, o motorista perde parte do controle do veículo, principalmente em situações de emergência. Sem o auxílio do motor para controlar a velocidade, a condução se torna menos segura, aumentando o risco de acidentes.
Qual é a punição para quem dirige na banguela?
Quem for flagrado cometendo essa infração está sujeito às penalidades previstas na legislação. A conduta é classificada como infração média, resultando em quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e multa de R$ 130,16.
Dependendo da situação constatada pelos agentes de trânsito, o veículo também poderá ser retido até que a irregularidade seja corrigida, conforme previsto na legislação.
Por que a banguela aumenta o risco de acidentes?

Dirigir na banguela: prática comum entre motoristas pode comprometer sua segurança e pesar no bolso (Foto: Shutterstock)
Ao manter o veículo engrenado em uma descida, o motorista utiliza o chamado freio-motor, recurso que ajuda a controlar a velocidade sem sobrecarregar o sistema de frenagem.
Quando o carro está na banguela, todo o esforço passa a ser suportado pelos freios. Isso pode provocar superaquecimento das pastilhas e discos, reduzindo a eficiência da frenagem e comprometendo a segurança, especialmente em descidas longas e íngremes.
A prática realmente economiza combustível?
Nos automóveis antigos com carburador, essa estratégia até podia representar uma pequena redução no consumo. Entretanto, nos veículos equipados com injeção eletrônica, ocorre exatamente o contrário.
Quando o carro permanece engrenado e o motorista tira o pé do acelerador, o sistema eletrônico interrompe temporariamente o envio de combustível para o motor. Já em ponto morto, a injeção continua funcionando para manter o motor ligado, gerando consumo desnecessário.
Por isso, a forma mais segura e econômica de enfrentar uma descida é manter uma marcha compatível com a velocidade da via, utilizar o freio-motor sempre que possível e recorrer ao pedal de freio apenas para pequenos ajustes. Essa prática preserva os componentes mecânicos, reduz o consumo de combustível e mantém o veículo dentro das normas do CTB.