Cuidado! Essa ‘gambiarra’ na moto pode te dar multa e quase ninguém sabe

Condutores driblam a legislação brasileira ao carregar chinelos no antebraço, mas são passíveis de multa.

A cena é comum nas ruas brasileiras: motociclistas tentando driblar o calor, a pressa e até a fiscalização ao pilotar moto com chinelo, seja usando o calçado nos pés ou preso de maneira improvisada no antebraço.

Embora pareça uma solução inofensiva ou apenas um recurso para evitar a multa por conduzir com chinelo nos pés, essa prática pode sim gerar autuação, ainda que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não trate de forma explícita essa situação.

Para quem deseja pilotar de maneira segura e sem surpresas desagradáveis, compreender o que a lei realmente prevê é fundamental.

O que a lei diz sobre carregar objetos durante a condução

Mesmo que o CTB não mencione diretamente o ato de pilotar moto com chinelo preso ao braço, algumas regras gerais se aplicam.

O Artigo 252, inciso II, estabelece que é infração média “conduzir o veículo transportando pessoas, animais ou volume à sua esquerda ou entre os braços e pernas”. A penalidade envolve multa de R$ 130,16 e 5 pontos na carteira.

Embora um chinelo seja um objeto pequeno, a interpretação da lei depende do agente de fiscalização, que pode considerar o item como um “volume” capaz de interferir na condução ou gerar risco.

Em muitos casos, a análise é subjetiva, e isso faz com que o motociclista fique vulnerável à autuação.

Artigo 169: a norma que abre margem para multa mesmo sem volume

Mesmo que o agente entenda que o chinelo não se enquadra como volume, há outro dispositivo que pode justificar a autuação: o Artigo 169 do CTB. Ele determina que “dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança” é uma infração leve, com multa de R$ 88,38 e 3 pontos na CNH.

Na prática, se o chinelo no antebraço interferir na movimentação do motociclista, atrapalhar o controle da motocicleta ou comprometer a segurança, a multa pode ser aplicada com base nesse artigo.

O entendimento é simples: qualquer objeto que prejudique a condução, mesmo que minimamente, pode ser considerado um risco.

Por que pilotar com chinelo, no pé ou no braço, pode ser perigoso?

Além do aspecto legal, há o risco real para a integridade física do motociclista. Em entrevista ao AutoPapo, o especialista Dr. Fhilipe Xavier destacou que o pé, ao pilotar moto, é uma das primeiras partes do corpo a tocar o solo em uma queda ou desequilíbrio. Sem proteção adequada, o motociclista fica exposto a fraturas, luxações e lacerações graves.

Ou seja, pilotar moto com chinelo não compromete apenas a legalidade, mas também a segurança, e improvisar carregando o calçado no braço não elimina o problema.

Foto: Gemini

Como transportar chinelos e calçados de forma correta e segura

Para evitar qualquer tipo de autuação, e principalmente riscos à integridade física, o ideal é adotar alternativas seguras e previstas pela legislação. O recomendado é utilizar:

  • Calçado fechado no momento da condução;
  • Preferencialmente, bota de motociclista, que protege pé e tornozelo;
  • Mochila, baú traseiro ou compartimento próprio para transportar chinelos ou outros objetos.

Essas medidas simples garantem uma pilotagem segura, evitam multas e eliminam interpretações subjetivas por parte dos agentes de trânsito.

Vale a pena arriscar?

Pilotar moto com chinelo no antebraço pode parecer uma solução rápida para evitar multa, mas, na prática, não elimina o risco de autuação e ainda pode comprometer a segurança do motociclista.

A legislação é clara quanto ao transporte de objetos que interfiram na condução, e a interpretação do fiscal pode variar conforme a situação.

Para evitar contratempos, o caminho mais seguro e inteligente é utilizar o calçado adequado e transportar o chinelo de forma correta. Segurança e atenção continuam sendo as melhores “proteções” para qualquer motociclista.

*Com informações AutoPapo

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