Andar de moto por 20 minutos pode ajudar a reduzir o estresse, aponta estudo

Pesquisa aponta que andar de moto por 20 minutos pode reduzir estresse em 28%, além de aumentar adrenalina e foco.

Pilotar uma motocicleta por pouco mais de 20 minutos pode provocar mudanças mensuráveis no corpo e no cérebro. Um estudo conduzido por pesquisadores ligados à Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) observou redução em um marcador hormonal associado ao estresse, além de aumento da atenção e do estado de alerta entre motociclistas experientes.

Os resultados ajudam a explicar por que muitos condutores relatam sensação de foco e bem-estar depois de uma volta de moto.

O que os pesquisadores descobriram

20 minutos de moto foram suficientes para provocar uma mudança surpreendente no estresse.

A pesquisa, publicada em 2021 na revista científica Brain Research, avaliou respostas neurológicas e fisiológicas durante três situações: pilotar uma motocicleta, dirigir um carro e permanecer em repouso.

Os cientistas acompanharam atividade cerebral por eletroencefalografia, frequência cardíaca e hormônios como adrenalina, cortisol, DHEA-S e testosterona.

Durante a pilotagem, houve melhora em medidas relacionadas ao processamento sensorial e à atenção visual. Os autores também identificaram alteração na resposta do eixo HPA, sistema envolvido na reação do organismo ao estresse.

Marcador de estresse caiu 28%

Em uma divulgação anterior dos resultados, a equipe informou queda de 28% em um biomarcador hormonal relacionado ao estresse durante a pilotagem. Tecnicamente, a medida considerou a relação entre cortisol e DHEA-S, e não simplesmente uma redução isolada do cortisol.

Em média, cerca de 20 minutos sobre a moto também elevaram a frequência cardíaca em 11% e os níveis de adrenalina em 27%. Segundo os pesquisadores, esse padrão fisiológico apresenta semelhanças com o observado durante atividades físicas leves.

Atenção aumentou durante o percurso

O cérebro reage diferente quando você pilota uma moto.

Os registros cerebrais indicaram ainda maior foco sensorial e menor suscetibilidade a distrações enquanto os participantes pilotavam. Mudanças na atividade elétrica cerebral foram interpretadas como um aumento de alerta semelhante, em determinados parâmetros, ao efeito associado ao consumo de uma xícara de café.

A pesquisa também apontou que parte desse estado de atenção permaneceu detectável por alguns minutos após o término da atividade.

Estudo tem limitações importantes

Apesar dos resultados interessantes, o trabalho não significa que andar de moto seja um tratamento contra estresse ou ansiedade. O experimento envolveu adultos saudáveis e experientes, conduzindo suas próprias motocicletas em um percurso controlado de aproximadamente 22 minutos.

Além disso, o estudo recebeu financiamento da Harley-Davidson, informação relevante para interpretar os resultados com cautela. A própria divulgação do projeto ressalta que os efeitos podem variar conforme idade, saúde, experiência, condições da via e equipamento utilizado.

Assim, a pesquisa sugere que pilotar pode combinar ativação física moderada com alto nível de atenção e alterações em marcadores de estresse. Ainda assim, segurança, experiência e contexto continuam sendo fundamentais antes de transformar uma volta de moto em sinônimo de relaxamento.

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