Adeus à troca de bateria? Ciência descobriu como ‘curar’ baterias de carros elétricos

Baterias de carro elétrico podem durar muito mais do que você imagina.

A durabilidade das baterias de carros elétricos continua sendo o principal ponto de atenção de quem pensa em migrar para a mobilidade elétrica.

Mais do que autonomia ou tempo de recarga, a grande pergunta do consumidor é simples: quanto tempo a bateria realmente dura? Nos últimos meses, uma cooperação científica entre Estados Unidos e China começou a oferecer respostas concretas, e animadoras.

Pesquisas recentes revelam por que até baterias de alta tecnologia podem falhar antes do esperado e, mais importante, mostram que essas células podem ser recuperadas, evitando descarte prematuro e reduzindo custos.

O que antes parecia um problema sem solução agora começa a ganhar contornos de um “check-up do futuro” para veículos elétricos.

O check-up do futuro: por que baterias modernas ainda falham?

Pesquisadores do Argonne National Laboratory, nos Estados Unidos, identificaram que o desgaste das baterias de carros elétricos, especialmente as de alto teor de níquel, não é apenas um fenômeno químico, como se acreditava. O verdadeiro vilão também é mecânico.

Mesmo em células monocristalinas, projetadas para oferecer maior estabilidade, as reações internas não acontecem de forma uniforme. Durante os ciclos de carga e descarga, diferentes regiões da bateria se expandem e se contraem em ritmos distintos.

A analogia é simples: imagine uma esponja que incha e encolhe a cada recarga. Se um lado se expande mais do que o outro, surgem microfissuras.

Com o tempo, essas rachaduras comprometem a estrutura do cátodo, reduzindo a capacidade de armazenar energia e, consequentemente, a autonomia do carro elétrico.

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Da ‘doença’ ao ‘tratamento’: a solução vem da China

Enquanto os pesquisadores americanos se concentraram em entender a origem do problema, cientistas chineses avançaram para a próxima etapa: como recuperar baterias degradadas.

No segundo semestre de 2025, equipes da Universidade Huazhong apresentaram uma técnica inovadora baseada em sais fundidos, capaz de reinjetar íons de lítio em estruturas danificadas. O processo restaura a organização interna do cátodo sem a necessidade de desmontar completamente a célula.

Os resultados chamaram atenção: baterias que seriam descartadas recuperaram mais de 75% da capacidade original. Na prática, isso pode representar vários anos adicionais de uso em um veículo elétrico.

O alcance vai além do níquel: baterias LFP também entram no radar

Embora as baterias de níquel alto estejam no centro das pesquisas iniciais, os estudos avançam rapidamente para outros formatos.

As baterias de Fosfato de Ferro-Lítio (LFP), amplamente utilizadas em modelos elétricos de entrada no Brasil, também passaram a ser alvo de técnicas de regeneração por oxirredução (redox).

Esse ponto é crucial para o mercado nacional, já que as LFP se destacam por custo menor e maior estabilidade térmica, mas ainda enfrentam degradação ao longo do tempo.

A possibilidade de regenerar essas baterias amplia o impacto da tecnologia para uma base muito maior de consumidores.

BYD, CATL e o novo ecossistema da bateria regenerada

Gigantes do setor como BYD e CATL, responsáveis pelo fornecimento de baterias para a maioria das montadoras globais, já fazem parte de um ecossistema integrado que conecta reciclagem de matérias-primas, refinamento químico e reaproveitamento de células.

Para o consumidor, isso aponta para um futuro em que a substituição de uma bateria degradada não exigirá, necessariamente, uma peça totalmente nova.

Em vez disso, será possível optar por uma bateria regenerada, com custo significativamente menor e impacto ambiental reduzido.

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O que isso muda para quem pensa em comprar um carro elétrico?

A conclusão dos estudos é amplamente otimista. A maioria das baterias consideradas “aposentadas” ainda possui estrutura física suficiente para ser restaurada.

O grande desafio agora é escalar esse processo, tornando a chamada “cura das baterias” viável financeiramente em larga escala.

Se isso se concretizar, a longevidade das baterias de veículos elétricos deixará de ser uma preocupação central e passará a ser um diferencial econômico e ambiental.

Para quem pensa em entrar no mundo dos EVs, essa nova fronteira da ciência pode ser o fator decisivo que faltava para acelerar a transição elétrica.

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