BYD deixa Tesla para trás e bate recorde na venda de carros elétricos

Tesla enfrenta desafios, enquanto BYD lidera vendas de veículos elétricos globalmente.

O mercado global de veículos elétricos segue em transformação, e a Tesla enfrentou desafios no quarto trimestre de 2025. A montadora entregou 418.227 carros, totalizando cerca de 1,64 milhão no ano, abaixo das expectativas dos analistas.

Enquanto isso, a BYD consolidou a liderança, anunciando 2,26 milhões de veículos vendidos no mesmo período. A chinesa aproveitou o ajuste da demanda nos Estados Unidos, onde o crédito fiscal terminou em setembro de 2025.

Apesar da desaceleração, investidores reagiram de forma positiva em Nova York, e as ações da Tesla subiram na pré-abertura. Especialistas seguem atentos aos próximos relatórios, que devem indicar tendências para 2026.

A virada no topo do setor de elétricos

O número de veículos entregues pela Tesla no trimestre refletiu um ambiente competitivo mais intenso.

Por outro lado, a BYD, com foco agressivo em preço, ampliou sua escala e cravou vendas recordes no ano. Essa diferença encerrou a vantagem que a montadora norte-americana mantinha desde 2024.

A projeção inicial de 449 mil da FactSet para o trimestre final do ano parecia cravar um ritmo mais resiliente. No entanto, fatores macroeconômicos e concorrenciais pressionaram as entregas, especialmente em mercados-chave.

Ainda assim, alguns analistas enxergaram surpresa positiva, como destacou Dan Ives, da Wedbush Securities, ao comparar o resultado com estimativas mais baixas.

Humor do mercado

Apesar da perda da liderança anual, os investidores reagiram com algum alívio. Em Nova York, as ações da Tesla subiram na pré-abertura, sinalizando uma leitura menos negativa do trimestre. Entretanto, o cenário de demanda segue desafiador até a normalização pós-incentivo nos Estados Unidos.

Fatores que contribuíram para a queda

O mercado americano entrou em transição após o governo dos Estados Unidos encerrar o incentivo de US$ 7.500 (R$ 41 mil) no fim de setembro de 2025. Além disso, o apoio de Elon Musk a Donald Trump e a políticos de extrema direita corroeu a tração da marca em praças relevantes.

Ives avalia que a Europa continua como obstáculo às entregas da Tesla, por conta de aprovações regulatórias pendentes. Ainda assim, ele aponta a possibilidade de retomada após o destravamento das licenças.

Mercados menores e emergentes exibem crescimento acima do previsto, compensando as quedas na China e na Europa.

Enquanto a Tesla enfrenta gigantes europeus e marcas chinesas, a BYD diversifica o portfólio com elétricos e híbridos. Assim, a empresa captura consumidores sensíveis a preços na China, ao mesmo tempo em que sua escala doméstica sustenta ganhos de eficiência e exerce pressão sobre as margens das rivais.

BYD: origem e alcance

A BYD tem sede em Shenzhen e foi fundada em 1995, focada em baterias. Os consumidores na China chamam a marca de “Biyadi”, enquanto o slogan global é “Build Your Dreams”.

A companhia domina o segmento chinês de “veículos de energia nova”, que inclui híbridos plug-in.

A China permanece como o maior mercado para esse tipo de veículo. Contudo, a BYD acelera a internacionalização para reduzir riscos de rentabilidade com consumidores mais sensíveis ao preço.

Apesar das tarifas elevadas nos EUA, a estratégia avança. Por isso, a marca ganha terreno no Sudeste Asiático, no Oriente Médio e na Europa.

Para 2026, a disputa deve se concentrar em preço, escala e regulação. Portanto, a capacidade de destravar autorizações na Europa, sustentar a demanda nos Estados Unidos e acelerar a expansão fora da China tende a definir quem comandará o próximo ciclo dos elétricos.

você pode gostar também