BYD reformula situação na fábrica da Bahia após denúncias de trabalho análogo à escravidão
Medidas foram adotadas pela BYD após resgate de 163 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Camaçari.
A BYD, fabricante automotiva chinesa, está promovendo alterações significativas na construção de sua fábrica em Camaçari, Bahia. As mudanças ocorrem após uma operação de fiscalização flagrar 163 trabalhadores vivendo em condições precárias. A ação conjunta envolveu o Ministério Público do Trabalho (MPT) e outras entidades.
O escândalo trouxe à tona práticas internacionalmente criticadas. Os operários, terceirizados pela construtora Jinjiang, estavam sujeitos a condições de trabalho análogas à escravidão. A empresa foi acusada de reter passaportes e parte dos salários dos imigrantes asiáticos, violando resoluções de direitos humanos.
Diante disso, a BYD anunciou medidas corretivas. Uma empreiteira brasileira assumirá as obras mais problemáticas. Além disso, a criação de um comitê de compliance visa supervisionar todas as operações e garantir a conformidade com as normas trabalhistas locais.
Medidas Implementadas pela BYD
Foto: Divulgação
- Substituição de construtora
A construtora chinesa Jinjiang será substituída por uma empresa brasileira. Essa mudança visa garantir melhores condições de trabalho e o cumprimento das normas vigentes.
- Infraestrutura e alojamento
Os funcionários, anteriormente alojados de forma inadequada, agora têm instalações melhoradas. O refeitório também foi reformado, permitindo a integração de chineses e brasileiros em um ambiente comum e adequado.
- Comitê de compliance
O comitê é formado por profissionais multidisciplinares, incluindo advogados e consultores de engenharia. Este grupo tem autonomia para identificar e corrigir problemas no ambiente de trabalho.
Condições de trabalho reavaliadas
A força-tarefa realizada em dezembro destacou diversas irregularidades. Banheiros insuficientes, alimentação inadequada e jornadas extenuantes foram algumas das questões identificadas. A prática de jornadas de até 70 horas semanais sem descanso foi revista.
- Banheiros insuficientes;
- Alimentos armazenados inadequadamente;
- Colchões de 3 cm de espessura;
- Água potável indisponível.
Os trabalhadores chineses, após o resgate, foram alojados em hotéis na região metropolitana de Salvador. A partir daí, receberam assistência para regularizar sua documentação e retornar ao país de origem com suporte financeiro.
O Ministério Público do Trabalho ainda aguarda a formalização das mudanças para garantir que as exigências do termo de ajustamento de conduta sejam plenamente atendidas. A BYD se comprometeu a manter os novos padrões e a construir moradias adequadas para os funcionários estrangeiros.