Não basta o IPVA, mudança no trânsito pode te obrigar a pagar mais todo ano
Motoristas podem ter novo custo com volta do DPVAT. Entenda o cenário.
O mercado automotivo brasileiro pode passar por uma transformação relevante, especialmente para quem compra ou vende veículos usados.
Uma nova proposta em análise no Congresso Nacional promete corrigir distorções antigas no sistema de penalidades e ainda criar uma nova exigência financeira para motoristas.
Em pauta estão mudanças que envolvem multas de trânsito antigas, transferência de responsabilidade e a possível criação de um novo seguro obrigatório para veículos, anteriormente conhecido como DPVAT.
Mudanças nas multas de trânsito podem beneficiar compradores de usados

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A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que altera profundamente a forma como as multas registradas com atraso são tratadas no Brasil.
Pelo texto, relatado pelo deputado Hugo Leal, a responsabilidade por infrações cometidas antes da venda do veículo passará a ser, de forma definitiva, do antigo proprietário, mesmo que a multa seja inserida no sistema posteriormente.
Na prática, isso significa que o comprador não será mais penalizado por infrações que não cometeu, algo que hoje ainda gera muitos conflitos no processo de compra e venda de carros usados.
Fim de uma dor de cabeça comum no mercado automotivo
Atualmente, um dos grandes problemas enfrentados por quem adquire um veículo usado é a inclusão tardia de multas no sistema nacional, como o Renainf. Em muitos casos, essas infrações acabam vinculadas ao novo dono, mesmo após a transferência regular do veículo.
Com a nova proposta:
- Multas registradas após a venda ficam vinculadas ao CPF ou CNPJ do vendedor;
- O novo proprietário não será impedido de emitir o CRV (Certificado de Registro de Veículo);
- O processo de regularização se torna mais justo e transparente.
Essa mudança traz mais segurança jurídica e previsibilidade para o consumidor, reduzindo riscos ocultos na negociação.
Novo seguro obrigatório pode voltar ao cenário nacional

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Outro ponto central do projeto é a criação de um seguro obrigatório para veículos, voltado à cobertura de danos corporais causados a terceiros em acidentes de trânsito.
A proposta surge como uma alternativa para preencher o vazio deixado pela extinção do antigo DPVAT. Segundo o relator, a medida é essencial para garantir proteção às vítimas e ampliar a responsabilidade no trânsito.
Os detalhes sobre valores e coberturas ainda serão definidos pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), mas a contratação do seguro poderá se tornar obrigatória para o licenciamento anual do veículo.
O que muda no licenciamento de veículos?
Caso aprovado, o projeto trará impacto direto no licenciamento anual, que passará a exigir a comprovação da contratação do novo seguro.
Isso significa que:
- Motoristas terão uma nova obrigação financeira anual;
- O licenciamento poderá ser bloqueado sem a apólice ativa;
- Haverá maior proteção para vítimas de acidentes.
A medida reforça a ideia de responsabilidade coletiva no trânsito, embora também gere debate sobre aumento de custos para os condutores.
Regras específicas para locadoras e veículos financiados
O texto também aborda situações envolvendo veículos de locadoras e automóveis vinculados a contratos de financiamento ou arrendamento.
Nesses casos:
- As multas serão direcionadas ao condutor responsável (locatário ou arrendatário);
- Bancos e empresas de locação deixam de ser penalizados indevidamente;
- Os contratos deverão ser registrados nos órgãos de trânsito para validade legal.
Essa mudança busca maior precisão na identificação do real infrator, evitando distorções no sistema.
Próximos passos do projeto de lei
A proposta ainda não é definitiva. O texto tramita em caráter conclusivo e será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de seguir para votação no Senado.
Se aprovado, poderá entrar em vigor em todo o país, impactando diretamente milhões de motoristas.
Mais justiça e novas obrigações no trânsito
O projeto representa um avanço importante na correção de falhas históricas relacionadas às multas de trânsito no Brasil, especialmente no mercado de usados. Ao proteger o comprador de penalidades indevidas, a proposta aumenta a confiança nas negociações.
Por outro lado, a criação de um novo seguro obrigatório automotivo traz um novo cenário de custos e responsabilidades para os motoristas.
Portanto, trata-se de uma mudança que busca equilibrar justiça e proteção no trânsito, mas que também exigirá adaptação por parte de todos os envolvidos.