Petrobras reduz o preço, mas o valor na bomba sobe: alguém está ficando com a diferença

Entenda o detalhe que explica por que a gasolina não abaixa mesmo com corte da Petrobras.

A Petrobras iniciou nesta semana mais uma redução no preço da gasolina nas refinarias, acumulando uma queda expressiva de 15% em apenas doze meses.

Em teoria, a notícia deveria representar alívio imediato para milhões de motoristas brasileiros. Na prática, porém, o cenário é outro: os preços continuam altos nas bombas, frustrando quem esperava pagar menos para abastecer em 2026.

O contraste entre o valor praticado pela estatal e o preço final ao consumidor revela um problema estrutural antigo no mercado de combustíveis, onde tributação elevada, logística e margens de distribuição acabam anulando boa parte dos cortes anunciados.

Preço cai na refinaria, mas sobe no posto: o paradoxo da gasolina

Foto: Shutterstcok

Apesar de a Petrobras ter promovido três cortes consecutivos no preço da gasolina ao longo do último ano, os dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o consumidor final segue na contramão dessa tendência.

Em Campo Grande (MS), por exemplo, o litro da gasolina custava, em média, R$ 5,75 em janeiro de 2025. Um ano depois, mesmo com a forte redução nas refinarias, o valor subiu para R$ 5,89, representando uma alta de 2,4%.

No mesmo período, o preço da Gasolina A vendida pela Petrobras caiu de R$ 3,02 para R$ 2,57, evidenciando o descompasso entre origem e destino do combustível.

Por que o desconto da Petrobras não chega ao bolso do motorista?

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Ao contrário do que muitos imaginam, o principal responsável por esse cenário não é a Petrobras. A formação do preço final da gasolina envolve uma cadeia complexa, composta por impostos estaduais, mistura obrigatória e políticas comerciais independentes.

Entre os principais fatores que travam a queda do preço, destacam-se:

  • Aumento do ICMS: desde o início de 2025, o imposto estadual sobre combustíveis subiu cerca de R$ 0,20 por litro, neutralizando grande parte da redução anunciada pela estatal.
  • Mistura obrigatória de etanol anidro: a gasolina comercializada nos postos contém etanol. Assim, um corte de R$ 0,14 na refinaria se traduz em apenas R$ 0,09 de impacto potencial na bomba.
  • Margens de distribuição e revenda: distribuidoras e postos possuem autonomia para definir preços, o que gera repasse desigual entre regiões e cidades.

Comparativo de preços: janeiro de 2025 x janeiro de 2026

Em Mato Grosso do Sul, onde o impacto tributário foi mais intenso, os números ilustram bem a situação:

  • Gasolina em Campo Grande: de R$ 5,75 para R$ 5,89 (+2,4%);
  • Gasolina média no estado: de R$ 5,96 para R$ 6,08 (+2,01%);
  • Gasolina A na refinaria: de R$ 3,02 para R$ 2,57 (–15%);
  • Etanol: de R$ 3,92 para R$ 4,20 (+7,14%).

Os dados deixam claro que, enquanto a Petrobras reduz custos, o consumidor segue pagando mais.

Diesel e etanol: comportamentos opostos em 2026

Enquanto a gasolina enfrenta resistência para cair, o Diesel apresentou leve redução nas bombas, passando de R$ 6,03 para R$ 5,96 no acumulado de um ano.

Segundo a Petrobras, os preços para distribuidoras permanecem estáveis, mas o combustível acumula uma queda real de 36,3%, quando descontada a inflação desde dezembro de 2022.

Já o Etanol seguiu o caminho oposto, registrando alta superior a 7%, pressionado por custos de produção e menor oferta em algumas regiões.

O que esperar após o novo corte anunciado pela Petrobras?

Com o novo corte de R$ 0,14 entrando em vigor a partir de 27 de janeiro, existe expectativa de algum reflexo nos postos até o fim da semana.

No entanto, entidades como o Sinpetro alertam que o repasse será limitado e gradual, dependendo do nível de estoque de cada estabelecimento.

Embora a redução do preço da gasolina nas refinarias seja um sinal positivo, o motorista brasileiro segue refém de uma estrutura que dificulta a chegada desse alívio ao bolso, pelo menos por enquanto.

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