Preço das corridas por app explode 56%, mas motoristas seguem no aperto
Debate por regulação das plataformas de transporte se intensifica no Brasil.
O botão “chamar carro” ficou mais pesado no bolso do consumidor. Em 2025, as corridas por aplicativo dispararam 56,08%, segundo o IBGE, e 2026 já começou sob clima de tensão entre usuários, motoristas e plataformas.
O paradoxo é claro: o preço sobe para o passageiro, mas a renda do condutor não acompanha o movimento.
Esse descompasso alimenta a pressão por mudanças estruturais no setor. Cresce a cobrança por novas leis, revisão de contratos e maior transparência nos algoritmos que definem tarifas, repasses e bônus.
No Brasil, o debate já deixou de ser apenas econômico e passou a ocupar o campo regulatório e político, com impacto direto no transporte individual urbano.
Pesquisas da Universidade de Oxford (Inglaterra) e da Columbia Business School (EUA) reforçam o cenário: estratégias de desconto e promoções recorrentes comprimem margens há anos. Enquanto passageiros sentem o aumento no valor final, motoristas enfrentam instabilidade na precificação dinâmica e imprevisibilidade de ganhos.
Por consequência, o modelo atual entra em xeque e vira pauta prioritária para o futuro da mobilidade por aplicativo.
Inflação das corridas e o bolso do passageiro
A alta acumulada de 2025 elevou tarifas e abriu um abismo entre o valor pago e o repasse aos motoristas. A defasagem se prolonga em 2026 e afeta o planejamento financeiro diário. Assim, a transparência da precificação dinâmica voltou ao centro das discussões.
Plataformas intensificaram descontos e ajustes algorítmicos, segundo as pesquisas citadas, e isso reduziu o ganho líquido dos profissionais. Ademais, a lógica de oferta e demanda alterou rotas e horários rentáveis.
Nesse cenário, motoristas cobram métricas auditáveis para entender como cada corrida forma o preço.
Lucro da atividade nas capitais em 2026
Para medir a viabilidade da atividade em 2026, a plataforma GigU calculou a renda líquida dos condutores nas três maiores capitais do país após combustível, manutenção e impostos. Os números variam conforme a capital e a carga semanal, e a jornada define boa parte do resultado final no mês.
| Capital | Jornada semanal | Lucro líquido médio (R$) |
|---|---|---|
| São Paulo | 60 horas | R$ 4.252,24 |
| Belo Horizonte | 54 horas | R$ 3.554,58 |
| Rio de Janeiro | 54 horas | R$ 3.304,93 |
Os valores superam alguns empregos tradicionais, mas exigem jornadas extensas. Em São Paulo, por exemplo, 60 horas semanais sustentam R$ 4.252,24. Entretanto, as taxas retidas por empresas de mobilidade pressionam a renda, e muitos ampliam turnos para compensar.
Regulação em debate no Congresso
O Congresso Nacional discute o PL 152/2025, que busca previsibilidade financeira e limitações ao poder das plataformas sobre os rendimentos. O texto propõe que a comissão paga à empresa não supere 30%. A volatilidade desse desconto figura entre as maiores queixas da categoria.
As empresas argumentam que limites rígidos podem reduzir a oferta e elevar os preços ao consumidor final. Decisões como a do ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu regras locais e facilitou o retorno de motos de app em SP, mostram um ambiente jurídico movimentado.
O desafio para 2026 envolve equilibrar eficiência algorítmica e sustentabilidade econômica para quem dirige. Portanto, a regulação tende a marcar um divisor de águas na mobilidade urbana digital no Brasil.