Quanto custa financiar um carro no Brasil hoje?

O financiamento de carros nunca foi tão usado e o preço final explica por quê.

O financiamento de veículos no Brasil encerrou 2025 em patamar histórico e confirmou um movimento que vem se consolidando nos últimos anos: mesmo com taxas de juros elevadas, o crédito continua sendo o principal combustível das vendas no setor automotivo.

Ao todo, 7,3 milhões de veículos foram financiados, o maior volume registrado desde 2011, sinalizando que o parcelamento segue como alternativa essencial para o consumidor brasileiro que precisa trocar ou adquirir seu meio de transporte.

Financiamento de carros atinge recorde histórico em 2025

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De acordo com dados consolidados da B3, o crédito automotivo cresceu 2% em relação a 2024, marcando o terceiro ano consecutivo de expansão.

O avanço reflete dois fatores centrais: a retomada gradual do acesso ao crédito e a necessidade de mobilidade, sobretudo em regiões onde o transporte público é limitado ou menos eficiente.

Mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador, o financiamento de veículos manteve ritmo consistente, mostrando que o carro, e também a moto, seguem sendo ativos estratégicos tanto para uso pessoal quanto profissional.

Crescimento regional: Norte e Nordeste puxam a alta

Embora Sudeste e Sul ainda concentrem a maior fatia do mercado, somando 62% das operações, o grande destaque de 2025 foi o avanço acelerado das regiões Nordeste e Norte, que apresentaram os maiores índices de crescimento percentual.

  • Nordeste: crescimento de 12,3%, com 19,5% de participação;
  • Norte: alta de 9,8%, alcançando 7,9% do mercado;
  • Sudeste: mercado estável, com 41,9%;
  • Sul: estabilidade, com 20,2%;
  • Centro-Oeste: estabilidade, com 10,6%.

Esse movimento reforça a interiorização do crédito e a ampliação do financiamento fora dos grandes centros urbanos, onde o veículo próprio é muitas vezes indispensável.

Carros usados dominam o financiamento em 2025

Outro dado que chama atenção é a clara preferência do consumidor por veículos usados. Em 2025, foram 4,6 milhões de automóveis seminovos financiados, contra 2,6 milhões de veículos zero-quilômetro.

A diferença reflete preços mais acessíveis, maior oferta e menor impacto imediato das taxas de juros sobre o valor final.

Motocicletas ganham força no crédito automotivo

O financiamento de motocicletas também apresentou desempenho expressivo, com 1,9 milhão de unidades financiadas, crescimento de 11,3% em um ano.

São Paulo lidera o ranking, seguido por Pará e Minas Gerais, evidenciando o papel da moto tanto como solução de mobilidade econômica quanto como ferramenta de trabalho, especialmente no setor de entregas e serviços.

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Quanto custa financiar um carro em 2026?

Apesar do volume recorde, o custo do financiamento exige atenção. Em novembro de 2025, a taxa média para pessoa física ficou em 26,61% ao ano, o equivalente a cerca de 1,99% ao mês.

Para ilustrar o impacto, considere a simulação de um financiamento de uma Fiat Strada, com preço estimado de R$ 125.000:

  • Entrada (20%): R$ 25.000.
  • Valor financiado: R$ 100.000.
  • Prazo: 48 meses.
  • Taxa mensal: 1,99%.

Nesse cenário, a parcela mensal gira em torno de R$ 3.200. Ao final do contrato, o consumidor paga mais de R$ 153.000 apenas no financiamento.

Somando a entrada, o custo total do veículo chega a aproximadamente R$ 178.000, o que representa mais de R$ 53.000 em juros e encargos sobre o valor original.

Prazos, entradas e políticas das montadoras

Cada fabricante opera com condições próprias por meio de seus bancos de fábrica:

  • Fiat: maior flexibilidade, com prazos entre 36 e 72 meses e entrada mínima sugerida de 10%.
  • Volkswagen: planos tradicionais em até 60 parcelas via VW Financial Services.
  • Chevrolet: programa “Chevrolet Sempre”, com prazos de 24, 36 ou 48 meses e entrada entre 20% e 30%.
  • Ford: contratos de até 48 meses pelo “Ford Sempre”, com foco na renovação programada.

Entrada maior, custo menor

No financiamento automotivo, um ponto é decisivo: quanto maior a entrada, menor o custo final. Um aporte inicial mais robusto reduz o valor financiado, diminui os juros acumulados e torna as parcelas mensais mais equilibradas.

Em um mercado aquecido, mas caro, planejamento financeiro é tão importante quanto escolher o modelo do carro.

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