Renault e Nissan reduzem parceria para manter marca japonesa viva
Renault e Nissan revisam acordo, reduzindo participação cruzada para 10%, enquanto Nissan abandona joint-venture de carros elétricos.
Em um movimento estratégico significativo, Renault e Nissan anunciaram mudanças na aliança entre as duas corporações automotivas. O anúncio foi feito na última segunda-feira, dia 31 de março de 2025.
A decisão surge em meio à crise financeira da Nissan, buscando dar maior flexibilidade à montadora japonesa.
Um dos principais pontos do novo acordo é a redução na participação cruzada mínima entre as empresas, que passa de 15% para 10%. A estratégia visa facilitar a reestruturação necessária para a Nissan após dificuldades geradas por uma tentativa de fusão mal-sucedida com a Honda.
Globalmente, a japonesa delineou novos planos. Serão adotadas mudanças no modelo de parceria com a Renault, permitindo que qualquer oferta de compra de ações siga um protocolo específico.
Isso pode significar que a Renault pode apresentar uma primeira oferta se surgir um comprador interessado nas ações da Nissan.
Desenvolvimentos em carros elétricos e produção na Índia
Além das alterações na participação cruzada, a Nissan decidiu deixar sua posição na Ampere, joint venture criada em 2023 para o desenvolvimento de veículos elétricos. Esse movimento reflete um ajuste no foco estratégico da empresa japonesa.
Na Índia, a Renault está pronta para assumir integralmente as operações da RNAIPL, adquirindo os 51% que pertenciam à Nissan. A fábrica continuará produzindo veículos da marca japonesa, incluindo o novo Nissan Magnite, o que reforça os laços fortes, apesar da reestruturação.
Novos modelos e planos
No que tange ao desenvolvimento de novos veículos, a Renault ficará encarregada de criar um compacto para a Nissan, utilizando a plataforma do Twingo.
A colaboração entre as duas empresas já rendeu frutos, como o novo Nissan Micra, baseado no Renault 5, projetado para capturar a essência da mobilidade moderna.
Impactos no Brasil e América Latina
No contexto latino-americano, a Nissan prevê o fechamento de sua fábrica na Argentina e o redirecionamento da produção de vários modelos. Entre as novidades, estão novas gerações do Kicks e um SUV de entrada, com produção focada em outras instalações, como no México.
Essas mudanças destacam o esforço conjunto das montadoras para enfrentarem os desafios econômicos e tecnológicos atuais, ao mesmo tempo em que buscam manter sua presença no mercado global e local.
A flexibilidade nas operações e o foco em inovação são aspectos centrais dessa renovada estratégia.