Todos os carros novos terão que frear sozinhos com nova regra de segurança

Tecnologia que evita colisões deixará de ser item de luxo e será obrigatória. Saiba quando.

A segurança automotiva está prestes a entrar em uma nova era no Brasil. Uma determinação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabelece que, a partir de 2029, os veículos novos comercializados no país deverão contar com tecnologias avançadas capazes de auxiliar o motorista e reduzir o risco de acidentes. Entre os recursos exigidos estará a frenagem automática de emergência, uma das inovações mais importantes da indústria automotiva moderna.

A medida representa um passo significativo para aproximar o mercado brasileiro dos padrões internacionais de segurança veicular. Além de contribuir para a prevenção de colisões, a nova exigência deve acelerar a popularização de sistemas que, até pouco tempo atrás, eram encontrados apenas em automóveis de categorias mais caras.

Enquanto a mudança se aproxima, pesquisadores brasileiros já trabalham no desenvolvimento de soluções nacionais para tornar essa tecnologia mais acessível e reduzir a dependência de componentes importados.

O que é a frenagem automática de emergência?

Sistema de frenagem automática tem como objetivo reduzir os acidentes em caso de baixa reação dos motoristas (Foto: Divulgação)

A chamada frenagem automática de emergência, conhecida internacionalmente como AEB (Autonomous Emergency Braking), é um sistema capaz de identificar situações de risco e agir antes que um acidente aconteça.

Por meio de sensores, radares e câmeras instalados no veículo, a tecnologia monitora constantemente o ambiente ao redor do carro. Quando detecta a possibilidade de uma colisão iminente, ela alerta o motorista e, caso não haja reação suficiente, pode acionar os freios automaticamente.

O objetivo é evitar completamente o acidente ou, pelo menos, reduzir a velocidade do impacto, diminuindo os danos materiais e aumentando as chances de proteção para motoristas, passageiros, ciclistas e pedestres.

ADAS: a tecnologia que está transformando os automóveis

Tecnologia ADAS pode ganhar um novo capítulo no Brasil (Foto: Divulgação)

A frenagem automática faz parte de um conjunto de recursos conhecido como ADAS (Advanced Driver Assistance Systems), ou Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor.

Essas tecnologias utilizam inteligência embarcada para auxiliar o motorista durante a condução e incluem funcionalidades como:

  • Assistente de permanência em faixa;
  • Monitoramento de pontos cegos;
  • Controle de cruzeiro adaptativo;
  • Alerta de colisão frontal;
  • Reconhecimento de sinais de trânsito;
  • Frenagem automática de emergência.

Nos últimos anos, os sistemas ADAS se tornaram fundamentais na estratégia global de redução de acidentes e já são amplamente utilizados em diversos mercados internacionais.

Brasil investe em radar nacional para reduzir custos

Um dos maiores desafios para ampliar a presença dessas tecnologias nos veículos brasileiros é o custo dos componentes eletrônicos utilizados em sua fabricação.

Atualmente, boa parte dos sensores e radares empregados nos sistemas ADAS é importada, o que aumenta significativamente o valor final dos automóveis.

Para enfrentar esse problema, um projeto liderado pelo Senai Pernambuco reúne universidades, centros de pesquisa e empresas da indústria automotiva com o objetivo de criar um sensor de radar nacional.

A iniciativa conta com investimentos de aproximadamente R$ 44 milhões e busca desenvolver uma alternativa tecnológica produzida no Brasil, capaz de atender às exigências futuras do mercado automotivo.

Além de fortalecer a indústria nacional, o projeto pode contribuir para a redução de custos e acelerar a adoção em larga escala dos sistemas de assistência ao motorista.

Mais segurança para motoristas e pedestres

Especialistas apontam que a expansão dos sistemas de assistência à condução pode gerar impactos significativos na redução de acidentes.

Grande parte das colisões ocorre devido a fatores humanos, como distração, fadiga, uso do celular ao volante ou demora na reação diante de situações inesperadas.

Com a atuação dos sensores e da frenagem automática, o veículo passa a funcionar como uma camada adicional de proteção, ajudando a compensar possíveis falhas humanas.

Essa evolução é particularmente importante em áreas urbanas, onde o fluxo intenso de veículos e pedestres aumenta a probabilidade de acidentes.

Tecnologia que antes era luxo deve se tornar padrão

A obrigatoriedade da frenagem automática segue uma tendência já observada com outros equipamentos de segurança que hoje são considerados indispensáveis.

Itens como airbags, freios ABS, controle eletrônico de estabilidade (ESP) e sistemas de ancoragem infantil também começaram equipando apenas veículos mais sofisticados antes de se tornarem comuns em praticamente toda a indústria.

Com a nova regulamentação, a expectativa é que a mesma transformação aconteça com os recursos ADAS, permitindo que modelos de entrada e intermediários também ofereçam níveis mais elevados de proteção.

O que esperar do mercado automotivo até 2029?

A exigência da frenagem automática obrigatória deve impulsionar investimentos em inovação, engenharia e desenvolvimento tecnológico no setor automotivo brasileiro.

Montadoras, fornecedores e centros de pesquisa já começam a se preparar para atender às futuras exigências regulatórias, enquanto consumidores poderão se beneficiar de veículos cada vez mais inteligentes e seguros.

Se o cronograma for mantido, os carros vendidos no Brasil a partir de 2029 chegarão às concessionárias equipados com tecnologias capazes de prevenir acidentes de forma ativa, marcando uma das maiores evoluções da segurança veicular das últimas décadas e aproximando o país dos mercados mais avançados do mundo.

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