Vai comprar um carro? Estes modelos estão entre os que mais desvalorizam
Antes de assinar o contrato, veja quanto estes carros podem perder em 3 anos.
O mercado automotivo brasileiro cresce em ritmo forte, mas vender bem não significa necessariamente preservar valor. Para quem compra pensando também na revenda, a desvalorização do carro pode pesar tanto quanto consumo, seguro ou manutenção.
Um levantamento da Indicata, baseado em cerca de 600 mil veículos anunciados no país, mostra quais modelos mais perderam valor ao comparar exemplares com três anos de uso e 60 mil quilômetros a unidades zero-quilômetro equivalentes.
Porsche Panamera lidera a desvalorização
Entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, o Porsche Panamera apresentou a maior queda do levantamento, com desvalorização de 30,8%. Logo depois aparecem Land Rover Discovery, com 28,8%, e Discovery Sport, com 23,6%.
O ranking segue com Audi e-tron (-22,6%), Jaguar E-Pace (-21,2%), Mercedes-Benz GLE (-19,8%), Mercedes-Benz GLC (-14,8%) e Kia Carnival (-13%). O resultado mostra forte presença de veículos premium entre os modelos com maior perda percentual.
A metodologia considera preços anunciados, e não necessariamente valores efetivamente pagos nas negociações. Ainda assim, o levantamento ajuda a mostrar como carros de alto valor podem perder dezenas de milhares de reais em poucos anos.

Porsche Panamera híbrido (Foto: Divulgação)
Por que carros premium podem cair mais?
Preço elevado, custo de manutenção, seguro, tecnologia que envelhece rapidamente e menor número de compradores no mercado de usados podem pressionar a revenda. Em modelos sofisticados, mudanças de geração e atualizações tecnológicas também tendem a afetar mais o preço dos exemplares anteriores.
Por isso, quem pretende ficar pouco tempo com o carro precisa avaliar não apenas o preço de compra, mas também a provável depreciação.

Carros de luxo perdem valor rápido e exigem atenção antes da compra.
Mercado brasileiro segue em expansão
Enquanto alguns usados perdem valor rapidamente, as vendas de veículos novos avançam. Segundo a Bright Consulting, agosto de 2026 terminou com 262.052 emplacamentos de veículos leves, alta de 22% sobre agosto de 2025.
De janeiro a agosto, foram 1.883.332 unidades, crescimento de 19,3% na comparação anual. O cenário mostra um mercado aquecido, com maior oferta de modelos e competição crescente entre fabricantes.
Eletrificados atingem participação recorde
Os carros eletrificados também ganharam espaço. Híbridos e elétricos, considerando a metodologia da Bright, somaram 63.709 unidades em agosto e responderam por 24,3% das vendas de veículos leves.
No acumulado do ano, chegaram a aproximadamente 367,5 mil emplacamentos, avanço de cerca de 134% sobre igual período de 2025.
Esse crescimento também pode influenciar o mercado de usados. A chegada constante de novos modelos, baterias maiores, mais autonomia e preços agressivos tende a acelerar a obsolescência de algumas tecnologias.
Para o consumidor, a lição é simples: antes de comprar, vale pesquisar preço de revenda, custo de manutenção e comportamento do modelo no mercado. Um carro desejado hoje pode representar uma perda relevante de patrimônio em apenas três anos.