Fórmula 1 acelera com etanol brasileiro e gasolina sem petróleo em 2026

Temporada 2026 traz carros menores e mais leves, usando e-fuel.

Com a chegada da temporada 2026, a Fórmula 1 redefine o que significa correr no limite. A nova geração de carros nasce menor, mais leve e mais responsiva, alterando a dinâmica das disputas desde a largada.

A mudança não é cosmética: ela mexe no ritmo, na estratégia e na forma como os pilotos atacam e se defendem.

No coração dessa virada está o combustível. A categoria passa a usar e-fuel, livre de petróleo, com etanol na composição, alinhando desempenho extremo a metas ambientais ambiciosas.

Eficiência energética, recuperação de potência e aerodinâmica inteligente ganham peso real nas decisões técnicas, sem diluir a identidade agressiva da F1.

O pacote aponta diretamente para 2030, quando a categoria pretende zerar as emissões no balanço geral. Até lá, cada temporada funciona como um laboratório em alta velocidade. O resultado esperado vai além da sustentabilidade: carros mais próximos, menor dependência de ar limpo e corridas mais disputadas.

Combustível e metas climáticas da F1

A Fórmula 1 persegue neutralidade de carbono até 2030, com ações que abrangem logística e pista. Desde 2022, os 22 carros já podem rodar com 10% de etanol na mistura. Em 2026, o percentual de oxigenados sustentáveis sobe para 20%, reforçando a estratégia de baixo carbono.

Conforme Selda Gunsel, diretora de tecnologia da Shell, o fornecimento atual à Ferrari HP inclui 10% de bioetanol de segunda geração, obtido de resíduos de cana-de-açúcar de uma joint venture no Brasil. Além disso, os 80% restantes da mistura exigem rotas inovadoras para atender aos novos motores.

Entre as soluções em estudo, três frentes ganham espaço e criam redundância tecnológica.

  • Biomassa como base de moléculas avançadas para alto desempenho.
  • Resíduos sólidos urbanos convertidos em componentes energéticos.
  • Gasolina sintética (e-gasolina), alternativa sem uso de petróleo.

Processos químicos produzem e-gasolina sem recorrer ao petróleo. Iniciativas como as da Porsche capturam CO2 atmosférico e operam com eletricidade limpa. Dessa forma, o combustível sintético fecha ciclos de carbono, focando em eficiência e rastreabilidade.

Arquitetura dos carros de 2026

As mudanças não se limitam ao tanque, já que o chassi também evoluiu. O entre-eixos diminuiu 20 cm e a largura cresceu 15 cm, favorecendo a manobrabilidade e as disputas roda a roda.

Os carros perdem 30 kg e recebem pneus mais estreitos, o que reduz o arrasto e a turbulência para quem vem atrás.

A asa dianteira ganha aerodinâmica ativa, funcionando como um segundo DRS em curvas. Assim, os pilotos ajustam o fluxo de ar em tempo real, equilibrando aderência, consumo e chance de ultrapassagem. Em consequência, a dinâmica de corrida tende a ficar mais estratégica.

Parte elétrica reforçada

Embora a F1 utilize sistemas híbridos há anos, a contribuição do motor elétrico cresce de forma relevante. Praticamente metade da potência combinada passa a vir da eletricidade, enquanto a outra metade se apoia em fontes limpas. Desse modo, performance e sustentabilidade avançam em conjunto.

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