Exame toxicológico para CNH gera polêmica após jovem ter cabelo raspado durante coleta
Caso de erro na coleta de cabelo em Sapé, Paraíba, alerta para a importância do cumprimento dos protocolos no exame toxicológico para a CNH.
A exigência do exame toxicológico para a primeira CNH passou a fazer parte da rotina de quem pretende obter a habilitação para dirigir carros e motocicletas.
Embora o procedimento seja considerado simples e seguro, um caso ocorrido recentemente em Sapé (PB) levantou dúvidas sobre a forma correta de coleta do material e os direitos dos candidatos durante o atendimento.
Após relatar que teve uma quantidade excessiva de cabelo retirada durante o exame, uma candidata repercutiu nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os protocolos adotados pelos laboratórios credenciados.
O episódio também fez crescer o interesse por informações como a quantidade de cabelo necessária para o teste, quais substâncias são detectadas e como funciona todo o processo exigido pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Jovem da Paraíba teve parte do cabelo raspado durante o exame toxicológico (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Como funciona o exame toxicológico para a CNH?

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Com a entrada em vigor da Lei nº 15.153/2025, o exame toxicológico deixou de ser obrigatório apenas para motoristas das categorias C, D e E e passou a integrar o processo de obtenção da primeira CNH nas categorias A, B e AB.
O objetivo é identificar o consumo de substâncias psicoativas dentro da janela de detecção prevista pela legislação, contribuindo para a segurança no trânsito.
A coleta deve ser realizada exclusivamente em laboratórios credenciados pela Senatran ou em postos autorizados, seguindo rígidos protocolos de identificação, armazenamento e rastreabilidade das amostras.
Quanto cabelo é necessário para realizar o exame?

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Segundo especialistas em toxicologia, a coleta é rápida, indolor e pouco invasiva. A amostra retirada corresponde, aproximadamente, à espessura de uma caneta e é cortada o mais próximo possível da raiz dos cabelos.
Para que seja possível analisar o histórico de consumo dos últimos 90 dias, os fios precisam ter pelo menos três centímetros de comprimento, já que cada centímetro representa, em média, um mês de crescimento capilar.
Caso o candidato não possua cabelo suficiente, o exame pode ser realizado utilizando pelos corporais, como os do peito, pernas ou axilas.
Nessas situações, a janela de detecção aumenta para cerca de 180 dias. Em casos excepcionais de alopécia universal comprovada por laudo médico, a coleta poderá ser feita por meio das unhas.
Quais drogas o exame consegue identificar?
O teste toxicológico para CNH detecta diversas substâncias ilícitas e estimulantes, incluindo anfetaminas, metanfetaminas, ecstasy, cocaína, crack, maconha, haxixe, heroína, morfina, codeína e outros derivados.
Por outro lado, o exame não identifica o consumo de bebidas alcoólicas, energéticos, antidepressivos, calmantes ou esteroides anabolizantes. Ainda assim, é importante informar ao laboratório o uso contínuo de medicamentos prescritos, apresentando a receita médica quando solicitado.
Caso ocorrido na Paraíba reforça importância dos protocolos
O episódio registrado em Sapé (PB) ganhou grande repercussão após uma candidata afirmar que teve duas grandes mechas de cabelo retiradas durante a coleta, depois que uma das amostras foi inutilizada por um erro no acondicionamento. Segundo o relato, uma nova retirada ainda teria sido cogitada, provocando desconforto físico e impacto emocional.
Após a repercussão, o laboratório informou ter identificado uma falha pontual no procedimento, instaurou uma apuração interna e firmou acordo para custear o tratamento capilar e o acompanhamento psicológico da cliente.
O caso reforça a importância do cumprimento rigoroso dos protocolos técnicos e do respeito aos direitos dos candidatos durante todas as etapas do exame toxicológico para CNH.