Não é flex? Nova gasolina pode não ser uma boa notícia para quem dirige carro APENAS a gasolina
O aumento do percentual de etanol na gasolina pode prejudicar veículos exclusivamente a gasolina.
A decisão de aumentar a quantidade de etanol na gasolina continua gerando debates entre especialistas e motoristas. Embora estudos técnicos indiquem que a maioria dos veículos modernos deve continuar funcionando normalmente, representantes do setor de combustíveis defendem que ainda são necessários testes mais amplos para avaliar os efeitos da nova mistura em determinados tipos de veículos.
A principal preocupação envolve carros movidos exclusivamente a gasolina, motocicletas e alguns modelos importados, que podem apresentar maior sensibilidade ao aumento do teor de etanol. A mudança, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), elevou a participação do biocombustível de 30% para 32%, em caráter temporário.
Por que alguns veículos podem ser mais sensíveis à nova gasolina?

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De acordo com Márcio Martins de Castro Andrade, vice-presidente da Fecombustíveis, a maior parte dos veículos flex não deve enfrentar dificuldades, já que foi desenvolvida para operar com diferentes proporções de etanol e gasolina.
A situação, porém, pode ser diferente para automóveis abastecidos apenas com gasolina, motocicletas e veículos importados. Segundo ele, alguns desses modelos já apresentam maior sensibilidade à composição atual do combustível, o que levanta dúvidas sobre os efeitos de uma concentração ainda maior de etanol ao longo do tempo.
Na avaliação do representante da entidade, o impacto pode não aparecer imediatamente, mas surgir gradualmente por meio do desgaste de componentes do sistema de alimentação e do motor.
Setor pede estudos de longo prazo antes de novas mudanças
A Fecombustíveis afirma apoiar iniciativas voltadas à redução das emissões de poluentes, mas defende que qualquer alteração na composição da gasolina seja precedida por estudos mais extensos.
Segundo Andrade, os testes realizados até agora avaliaram o funcionamento da mistura com 32% de etanol, porém seriam necessários experimentos de médio e longo prazo, incluindo margens superiores, para verificar o comportamento dos motores em diferentes condições de uso e após muitos quilômetros rodados.
Para a entidade, esse acompanhamento ajudaria a identificar possíveis efeitos cumulativos antes da adoção definitiva de percentuais ainda maiores.
Postos de combustíveis acabam sendo os primeiros a receber reclamações

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Outro ponto destacado pelo vice-presidente da Fecombustíveis é que os postos de combustíveis costumam ser os primeiros a lidar com reclamações quando surgem suspeitas de problemas relacionados ao abastecimento.
Mesmo quando a origem da falha não está diretamente ligada ao combustível, muitos consumidores procuram inicialmente o posto para buscar esclarecimentos ou responsabilizar o estabelecimento.
Por esse motivo, o setor defende que mudanças na composição da gasolina sejam acompanhadas de ampla validação técnica, reduzindo dúvidas tanto para motoristas quanto para revendedores.
Veículos modernos continuam sendo os menos afetados
Apesar das preocupações levantadas pela entidade, especialistas lembram que a maior parte da frota brasileira foi desenvolvida considerando a presença de etanol na gasolina, combustível que já contém esse componente há várias décadas.
Assim, carros flex, híbridos flex e boa parte dos modelos nacionais mais recentes tendem a continuar operando normalmente com a nova mistura.
Já os proprietários de veículos antigos, exclusivamente a gasolina ou importados podem adotar uma manutenção preventiva mais rigorosa e acompanhar as recomendações das montadoras para garantir o melhor desempenho e preservar a durabilidade do motor.