Radar comete erro grave ao registrar moto a 870 km/h e motociclista tem CNH suspensa

Sistema retira uma vírgula e transforma 87 km/h em absurdos 870 km/h.

Uma motocicleta popular supostamente registrada a 870 km/h, velocidade próxima à de um avião comercial, transformou uma infração de trânsito em um caso de grande repercussão.

O episódio ocorreu em Campo Grande (MS), em fevereiro de 2019, e envolveu Francklin Grégory Fonseca, proprietário de uma Honda CG 150. O detalhe decisivo, porém, estava no sistema: a velocidade realmente registrada no auto era 87,0 km/h.

De 87,0 para 870 km/h

O flagrante aconteceu na Avenida Professor Luiz Alexandre de Oliveira, onde o limite era de 50 km/h. Segundo o Detran-MS, a tela interna usada no processo não aceitava caracteres que não fossem numéricos. Assim, ao eliminar o ponto decimal de “87,0”, o sistema passou a exibir “870”.

O órgão afirmou que a velocidade correta constava no auto de infração e na imagem produzida pelo equipamento. Por isso, sustentou que o erro de formatação não comprometia a autuação.

Mesmo a 87 km/h, a situação continuava grave. O artigo 218, inciso III, do Código de Trânsito Brasileiro classifica como gravíssima a condução em velocidade mais de 50% superior ao limite, prevendo multa multiplicada por três e suspensão do direito de dirigir.

Motociclista paga multa e depois descobre registro de 870 km/h.

Multa paga e CNH suspensa

Francklin afirmou que só descobriu a pendência meses depois, quando vendeu a motocicleta e precisou transferi-la. Para concluir o procedimento, pagou R$ 898,63.

Posteriormente, recebeu a abertura de um processo administrativo de suspensão da CNH. Segundo reportagens da época, ele apresentou defesa, mas acabou com o direito de dirigir suspenso por dois meses.

O caso ganhou notoriedade porque a tela do processo mostrava 870 km/h, embora o Detran sustentasse que a medição original era de 87,0 km/h.

Caso impressiona: erro no sistema faz moto parecer mais rápida que avião.

Como agir ao identificar erro em uma multa

Ao receber uma notificação de trânsito, o motorista deve conferir placa, veículo, data, horário, local, velocidade medida e velocidade considerada.

Caso encontre inconsistência, pode apresentar defesa prévia e recursos administrativos dentro dos prazos informados na notificação.

Documentos como CNH, CRLV, cópia do auto, fotografias e outros comprovantes podem ajudar a demonstrar eventual erro. O Detran-MS mantém canais próprios para defesa e recurso em processos de suspensão ou cassação da habilitação.

Sistema retira uma vírgula e transforma 87 km/h em absurdos 870 km/h.

Pagar a multa não encerra tudo

Quitar a multa não significa, necessariamente, eliminar todas as consequências administrativas. Infrações autossuspensivas, como excesso de velocidade acima de 50%, podem gerar processo específico de suspensão da CNH.

Por isso, divergências devem ser questionadas nas etapas previstas. No caso de Campo Grande, um problema de formatação transformou 87,0 em impressionantes 870 km/h e mostrou por que conferir cada detalhe da notificação pode fazer diferença.

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