Colocar mais pressão no pneu economiza combustível? Veja até onde isso é seguro
Pressão dos pneus influencia o consumo, mas passar do ponto pode sair caro.
A calibragem dos pneus parece um detalhe simples, mas interfere diretamente no consumo de combustível, na segurança e na vida útil do conjunto. Rodar com pressão abaixo do recomendado aumenta a resistência ao rolamento e faz o motor trabalhar mais.
Já colocar ar demais pode até reduzir ligeiramente essa resistência, mas o ganho vem acompanhado de desgaste irregular e pior comportamento do carro.
A pressão correta é a definida pela montadora
O valor ideal não deve ser escolhido “no olho” nem copiado do pneu. A pressão recomendada fica no manual do veículo, em um adesivo na porta do motorista ou, em alguns modelos, na tampa do tanque de combustível.
Também pode haver valores diferentes para o carro vazio e carregado. Alguns fabricantes indicam uma calibragem voltada à economia, mas ela continua dentro dos limites homologados para aquele veículo. Por isso, acrescentar algumas libras por conta própria não é uma boa estratégia.

Esse truque para gastar menos combustível pode acabar com seus pneus.
Pneu murcho aumenta o consumo
Quando o pneu está abaixo da pressão recomendada, sua deformação aumenta e cresce também a resistência ao rolamento. Isso exige mais energia para manter o veículo em movimento e pode elevar o consumo.
A pressão baixa ainda acelera o desgaste nas regiões externas da banda de rodagem, aumenta o aquecimento e pode prejudicar estabilidade e frenagem.
Excesso de pressão também traz problemas
Com a calibragem acima do indicado, a área de contato do pneu com o asfalto diminui. O desgaste tende a se concentrar no centro da banda de rodagem e a aderência pode piorar, principalmente no piso molhado.
A Michelin reconhece que pneus excessivamente cheios podem reduzir o consumo, mas alerta para menor vida útil e maior distância de frenagem. Não vale, portanto, trocar segurança e durabilidade por uma economia pequena.
Calibre com os pneus frios
A pressão deve ser conferida preferencialmente com os pneus frios, porque o ar interno aquece durante a rodagem e eleva a leitura. O ideal é medir antes de sair ou depois de percorrer poucos quilômetros em baixa velocidade.
Também é importante conferir o estepe e seguir a pressão indicada pelo fabricante, sem adotar automaticamente um valor maior.
Pneu desgastado pode gerar multa
No Brasil, pneus com sulcos inferiores a 1,6 mm, ou que tenham atingido o indicador TWI, não podem circular. A situação pode enquadrar o veículo no artigo 230, inciso XVIII, do CTB, por mau estado de conservação. A infração é grave, com multa de R$ 195,23, cinco pontos na CNH e retenção do veículo para regularização.

Pneu murcho gasta mais, mas encher demais também é um problema.
A melhor forma de economizar não é inflar além da conta, mas manter os pneus exatamente na pressão definida pela montadora. Essa escolha ajuda a preservar combustível, aderência, conforto e o próprio bolso.