Carro elétrico pega fogo mais fácil? Especialistas revelam o que realmente acontece
Entenda os riscos e cuidados necessários para garantir a segurança dos carros elétricos e como evitar incêndios.
O crescimento acelerado dos carros elétricos no Brasil e no mundo trouxe não apenas uma nova era para a mobilidade, mas também uma série de dúvidas entre consumidores. Entre as perguntas mais frequentes está uma que costuma gerar preocupação imediata: afinal, carro elétrico pega fogo mais fácil do que veículos a combustão?
Imagens de incêndios envolvendo veículos eletrificados acabam viralizando rapidamente nas redes sociais, aumentando o receio de muitos motoristas. No entanto, especialistas em segurança automotiva afirmam que a realidade é mais complexa do que parece e que boa parte dos riscos está relacionada a fatores externos, como instalações elétricas inadequadas, manutenção incorreta e procedimentos inseguros de recarga.
Embora incêndios em veículos elétricos realmente possam acontecer, isso não significa necessariamente que eles sejam mais perigosos do que carros tradicionais movidos a gasolina, etanol ou diesel.
O que pode causar incêndio em um carro elétrico?

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Os incêndios em carros elétricos normalmente estão ligados ao conjunto de baterias de íons de lítio, componente responsável pelo armazenamento de energia do veículo.
Quando ocorre algum dano severo na bateria, seja por colisões graves, superaquecimento ou falhas elétricas, existe o risco de ocorrer o chamado “efeito térmico em cadeia”, conhecido tecnicamente como thermal runaway. Nesse cenário, as células internas começam a superaquecer sucessivamente.
Apesar disso, especialistas destacam que os sistemas modernos de segurança dos veículos elétricos possuem diversas camadas de proteção justamente para evitar esse tipo de situação.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Instalações elétricas improvisadas;
- Carregadores inadequados;
- Uso de extensões e adaptadores;
- Falhas em sistemas de recarga;
- Danos severos após acidentes;
- Manutenção não especializada.
Ou seja, em muitos casos, o problema não está diretamente no carro, mas na infraestrutura utilizada para carregá-lo.
Recarga incorreta está entre os maiores perigos
Com o aumento da popularidade dos veículos eletrificados, muitos proprietários tentam adaptar tomadas comuns para carregar seus automóveis em casa. É justamente aí que mora um dos maiores riscos.
Especialistas alertam que carregar um carro elétrico exige uma rede elétrica preparada para suportar longos períodos de alta demanda energética.
Quando a instalação não possui:
- Aterramento adequado;
- Disjuntores corretos;
- Proteção contra surtos;
- dimensionamento correto de cabos;
- circuito dedicado,
- o sistema pode superaquecer e provocar curtos-circuitos ou incêndios.
Por isso, empresas especializadas recomendam que a instalação de carregadores residenciais seja feita apenas por profissionais habilitados e seguindo as normas técnicas vigentes.
Carros elétricos pegam fogo mais do que modelos a combustão?
Apesar da percepção popular, estudos internacionais indicam que incêndios em carros elétricos tendem a ser menos frequentes do que em veículos movidos por combustíveis fósseis.
Isso acontece porque automóveis a combustão trabalham constantemente com líquidos inflamáveis, altas temperaturas e explosões controladas dentro do motor.
Já os elétricos possuem menos componentes mecânicos sujeitos a vazamentos e combustão tradicional. No entanto, quando incêndios envolvendo baterias acontecem, o combate costuma ser mais complexo.
Por que incêndios em baterias exigem mais cuidado?
As baterias de íons de lítio possuem características diferentes dos tanques de combustível convencionais.
Em casos extremos, o fogo pode:
- Durar muito mais tempo;
- Reacender mesmo após ser controlado;
- Exigir grande quantidade de água;
- Liberar gases tóxicos;
- Demandar protocolos específicos de segurança.
Além disso, equipes de resgate precisam desligar corretamente os sistemas de alta tensão do veículo antes de iniciar o combate às chamas.
Por esse motivo, Corpos de Bombeiros em diferentes países já vêm atualizando treinamentos e protocolos voltados ao atendimento de acidentes envolvendo veículos elétricos.
Enchentes também preocupam motoristas

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Outro tema que gera dúvidas envolve carros elétricos em áreas alagadas. Embora os sistemas elétricos sejam altamente isolados e preparados para resistir à água, especialistas recomendam evitar qualquer exposição prolongada a enchentes severas.
Após contato intenso com água, principalmente em casos de submersão parcial ou total, o veículo deve passar por inspeção técnica especializada para avaliar possíveis danos na bateria e nos componentes elétricos.
Tecnologia evolui para aumentar a segurança
As montadoras vêm investindo bilhões no desenvolvimento de sistemas cada vez mais seguros para os veículos eletrificados.
Hoje, muitos modelos possuem:
- Monitoramento constante da bateria;
- Sensores térmicos;
- Desligamento automático em colisões;
- Proteção contra sobrecarga;
- Sistemas inteligentes de gerenciamento de energia.
Além disso, as normas internacionais de segurança para carros elétricos estão se tornando cada vez mais rigorosas.
Carro elétrico exige cuidados diferentes, não necessariamente mais perigosos
Especialistas reforçam que o avanço da mobilidade elétrica exige adaptação por parte dos consumidores, oficinas, condomínios e profissionais da área elétrica. Mais do que medo, o cenário atual exige informação correta sobre funcionamento, recarga e manutenção.
Assim como veículos a combustão possuem riscos envolvendo combustível, vazamentos e explosões, os carros elétricos também possuem características próprias que demandam atenção específica.
Com instalação adequada, equipamentos certificados e manutenção correta, os riscos podem ser significativamente reduzidos, permitindo que os veículos eletrificados operem de forma segura no dia a dia.