Eleição, guerra e Copa: carro usado vai ficar mais barato?
Preço do carro usado está estranho; entenda o que tá acontecendo.
A pergunta que não sai da cabeça do brasileiro finalmente ganha uma resposta mais clara: o preço do carro usado vai cair? Em meio a um cenário marcado por eleições, tensões geopolíticas e juros elevados, o mercado automotivo vive um momento de incerteza, e as expectativas de queda nos valores ainda estão longe de se concretizar.
Nos últimos anos, especialmente após a pandemia de COVID-19, os preços dos veículos dispararam e remodelaram completamente o setor.
Agora, mesmo com sinais pontuais de mudança, especialistas indicam que o caminho para uma redução significativa ainda depende de diversos fatores econômicos e estruturais.
Por que os carros ficaram tão caros?

Foto: Freepik
O aumento expressivo nos preços dos automóveis começou durante a pandemia, quando a combinação de alta demanda, escassez de componentes e valorização do dólar pressionou toda a cadeia produtiva.
Esse movimento teve dois efeitos diretos:
- Encarecimento dos carros zero-quilômetro;
- Aumento imediato na procura por carros usados e seminovos.
Como consequência, os veículos usados passaram a acompanhar os preços elevados dos modelos novos, criando um novo patamar de mercado que persiste até hoje.
Lançamentos mais baratos podem derrubar os preços?
Recentemente, o lançamento do Caoa Chery Tiggo 5X Sport por um valor competitivo reacendeu discussões sobre uma possível queda nos preços.
O modelo chamou atenção por oferecer:
- Alto nível de tecnologia;
- Preço abaixo de concorrentes diretos;
- Custo-benefício atrativo dentro do segmento SUV.
Apesar disso, especialistas alertam: movimentos isolados dificilmente impactam todo o mercado. No máximo, podem gerar ajustes pontuais em modelos concorrentes, mas não uma queda generalizada.

Caoa Chery Tiggo 5X Sport (Foto: Divulgação)
Juros altos travam o mercado de veículos
Um dos principais fatores que influenciam diretamente o preço dos carros é a taxa Selic, definida pelo Banco Central do Brasil.
Atualmente, com juros ainda elevados (acima de 14%), o cenário é desafiador:
- Financiamentos ficam mais caros;
- Consumidores adiam a compra;
- A demanda por carros usados continua forte.
Além disso, veículos mais antigos tendem a ter taxas de juros ainda maiores, o que limita o acesso ao crédito e mantém o mercado aquecido, impedindo quedas significativas nos preços.
Crises globais e eleições influenciam diretamente
O mercado automotivo não depende apenas de fatores internos. Questões globais também têm forte impacto.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Conflitos internacionais, especialmente no Oriente Médio;
- Oscilações no preço do petróleo;
- Custos logísticos e de produção.
Esses elementos aumentam o custo da cadeia automotiva como um todo, dificultando reduções nos preços finais.
No cenário nacional, as eleições também geram incertezas econômicas, afetando decisões de consumo e investimentos.
Mercado de usados segue forte, e sem sinais de queda

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Dados da Fenauto mostram que o mercado de usados continua aquecido. Observe:
- Cerca de 18,5 milhões de veículos usados vendidos em 2025;
- Projeção de até 20 milhões de transações em 2026;
- Crescimento contínuo mesmo em cenário desafiador.
Esse volume elevado demonstra que os carros usados no Brasil seguem como a principal alternativa para a população, especialmente diante dos altos preços dos veículos novos.
Por que os carros novos ainda são inacessíveis?
Apesar da capacidade da indústria automotiva brasileira ser alta, a produção não acompanha esse potencial. Alguns fatores explicam isso:
- Produção ajustada a volumes menores;
- Prioridade para vendas diretas (frotistas e locadoras);
- Desaparecimento dos chamados carros populares.
Hoje, encontrar um carro novo abaixo de R$ 100 mil é cada vez mais raro, o que mantém a pressão sobre o mercado de usados.
Queda nos preços ainda não está no radar
Embora exista expectativa de melhora com uma possível redução gradual dos juros, o cenário atual indica estabilidade, e não queda, nos preços dos veículos usados.
Para que os valores realmente diminuam, seria necessário:
- Aumento na oferta de carros novos;
- Redução significativa dos juros;
- Maior acesso ao crédito;
- Estabilidade econômica global.
Até lá, o consumidor brasileiro continuará encontrando nos carros usados a alternativa mais viável, mesmo com preços ainda elevados.
Por fim, a queda pode até vir… mas não será tão cedo quanto muitos esperam.