Fechamento de fábrica da Nissan gera incerteza e revolta de todos os lados
Encerramento da linha de produção da Nissan em Santa Isabel, na Argentina, deixa trabalhadores em situação de incerteza.
A Nissan Argentina confirmou o fechamento de sua fábrica em Santa Isabel, Córdoba, a partir de novembro. A decisão, que vem após meses de rumores, impacta a produção das picapes Frontier e Renault Alaskan, alimentando o clima de tensão entre trabalhadores e a comunidade local.
Deito no dia 28 de março, o anúncio desencadeou reações de descontentamento entre os funcionários da fábrica. A incerteza sobre o futuro dos empregos e a falta de esclarecimentos no comunicado oficial contribuíram para intensificar a revolta.
Impacto para os trabalhadores
Dos 900 funcionários envolvidos na linha de produção da planta da Nissan, estima-se que 500 a 600 serão realocados. Porém, aproximadamente 300 a 400 trabalhadores, considerados “mão de obra excedente”, permanecem sem definição clara sobre seu futuro.
O sindicato SMATA já havia concordado em manter a paz sindical, mas entre os trabalhadores, a insatisfação persiste. O medo do desemprego iminente e a sensação de desamparo são sentimentos recorrentes entre eles.
Devido ao descontentamento com as autoridades sindicais, fontes afirmam que os funcionários agora dividem seu ressentimento entre a Nissan e o SMATA.
Desafios enfrentados pela administração
Os funcionários administrativos e gerentes também enfrentam incertezas. Sem o apoio sindical, a preocupação com o futuro e a possibilidade de realocação para outras empresas ou setores agravam o pessimismo.
O desinteresse pelas atividades cotidianas é evidente. Muitos funcionários pararam de responder a e-mails e de participar de reuniões, e as ausências por “problemas de saúde” aumentaram.
Pressão sobre os fornecedores
Os fornecedores da linha de produção estão em alerta. A suspensão do fornecimento de peças e serviços gera cortes de pessoal e incertezas financeiras, e empresas como a Maxion Montich buscam apoio governamental para mitigar os impactos.
A possível retenção de maquinário e ferramentas pelas empresas de autopeças, caso não haja acordo sobre dívidas, é uma medida considerada por muitos fornecedores.
Próximos passos e negociações
A Nissan Argentina busca apoio da direção da Nissan América Latina para mediar a situação. Executivos do Brasil podem ser chamados para negociar com as partes afetadas e encontrar soluções para a complexidade do encerramento da planta.
A fábrica, projetada para produzir 70.000 picapes anualmente, enfrenta desafios de “engenharia de processos”.
Enquanto isso, concessionários se perguntam que cliente estará disposto a comprar uma picape que já se sabe, com muita antecedência, que deixará de ser fabricada. Em 2026, a Frontier será substituída por um novo modelo fabricado no México.