Frentista coloca produto no tanque errado e prejuízo em Jeep passa de R$ 150 mil

Posto de combustíveis em Camapuã é condenado a pagar R$ 154 mil após frentista colocar Arla 32 no tanque de diesel de Jeep Commander.

Um erro aparentemente simples durante um abastecimento terminou em um prejuízo de seis dígitos e em uma condenação judicial em Mato Grosso do Sul.

Um posto de combustíveis foi responsabilizado após um frentista colocar Arla 32 no tanque de diesel de um Jeep Commander com cerca de 20 mil quilômetros. O engano provocou danos graves ao motor e resultou em uma indenização total de R$ 154.893,20 ao proprietário.

Abastecimento errado aconteceu durante uma viagem

Commander Limited TD380 (Foto: Divulgação)

O episódio ocorreu em 10 de junho de 2023, quando o motorista seguia de Campo Grande para Ponta Porã. Ele parou para completar o reservatório de Arla 32 do SUV, um Commander Limited TD380 equipado com motor 2.0 turbodiesel.

Enquanto o proprietário se afastava por alguns instantes, o funcionário teria colocado o reagente diretamente no bocal destinado ao diesel. Pouco depois, o veículo desligou e apresentou alerta relacionado à contaminação do sistema de combustível.

Segundo o processo, o erro não foi comunicado imediatamente. O funcionário ainda teria sugerido completar o tanque com diesel, numa tentativa de diluir o produto colocado no local incorreto.

Por que o Arla 32 pode causar tantos danos?

Arla 32 (Foto: Reprodução)

O Arla 32 não é combustível. Trata-se de uma solução utilizada em veículos a diesel equipados com sistema de redução catalítica para diminuir a emissão de óxidos de nitrogênio. Por isso, possui reservatório próprio e deve seguir para o sistema de pós-tratamento dos gases, nunca para o tanque de combustível.

Após o incidente, o Jeep Commander foi encaminhado à concessionária. A perícia concluiu que a entrada do reagente no sistema de alimentação provocou calço hidráulico e danos de grande proporção ao conjunto mecânico.

O laudo também apontou problemas no procedimento realizado no posto, destacando o abastecimento no compartimento errado como causa determinante do prejuízo.

Conserto do SUV ultrapassou R$ 125 mil

A maior parte da condenação corresponde aos danos materiais. O reparo realizado na concessionária custou R$ 125 mil. Também foram considerados R$ 5.040 gastos com aluguel de outro veículo e R$ 9.853,20 referentes à produção antecipada da prova pericial.

No total, os danos materiais chegaram a R$ 139.893,20. A Justiça ainda fixou R$ 15 mil por danos morais, formando uma indenização de R$ 154.893,20.

A decisão considerou, entre outros fatores, o longo período em que o consumidor permaneceu sem o automóvel e a necessidade de recorrer ao Judiciário para conseguir solucionar o problema.

O caso serve de alerta para motoristas de veículos a diesel: o bocal do combustível e o reservatório de Arla 32 possuem funções completamente diferentes. Em caso de abastecimento incorreto, ligar ou continuar utilizando o veículo pode ampliar os danos, tornando essencial buscar orientação técnica imediatamente.

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