Passageiros deixam vômito, fezes e até cabeças de porco em robotáxis sem motorista

Robotáxis viram cenário de sujeira pesada e até objetos inacreditáveis, segundo relatos de funcionários.

A imagem de um robotáxi funcionando sem motorista sugere uma operação quase inteiramente automatizada. Na prática, porém, existe uma cadeia de trabalhadores responsável por manter os veículos prontos para a próxima corrida, inclusive quando passageiros deixam sujeira pesada no interior.

Um funcionário terceirizado que atuou em depósitos da Waymo na região de São Francisco relatou ao Bay Area Current casos frequentes de vômito e fezes, além de um episódio incomum envolvendo duas cabeças de porco esquecidas no banco traseiro.

O trabalho humano por trás dos robotáxis

O entrevistado, identificado apenas de forma anônima, era contratado pela Transdev US, empresa que presta serviços operacionais à Waymo. Segundo ele, suas tarefas incluíam estacionar e carregar veículos, conferir registros, limpar sensores, descarregar dados das viagens e encaminhar avarias para equipes especializadas.

Quando havia necessidade de higienização, funcionários dedicados à limpeza assumiam o serviço. De acordo com o relato, noites de fim de semana concentravam mais ocorrências envolvendo vômito e outros resíduos. A Waymo e a Transdev não comentaram as alegações específicas apresentadas na reportagem.

Waymo cresce nos EUA, mas funcionários lidam com sujeira deixada por passageiros (Foto: Reprodução)

Quanto ganha quem trabalha nos depósitos?

Segundo o funcionário, trabalhadores de nível inicial recebiam US$ 29 (R$ 148,66) por hora nos turnos diurno e intermediário. A madrugada, das 22h às 6h30, acrescentava US$ 2 (R$ 10,25) por hora, enquanto determinados plantões de fim de semana poderiam render mais US$ 1 (R$ 5,13).

Ele também descreveu uma rotina variável, com local e função definidos pouco antes do turno e treinamento curto para diferentes atividades nos depósitos.

A estrutura aumenta à medida que a empresa expande seus robotáxis. Em 1º de setembro de 2026, a Waymo começou a receber passageiros em Denver, San Diego e Tampa, chegando a 14 cidades com viagens totalmente autônomas abertas ao público. A companhia opera mais de 4 mil veículos e já realiza mais de 500 mil viagens por semana.

Mesmo sem motorista, ainda existe assistência humana

Os carros também contam com equipes de assistência remota. Em resposta enviada ao senador norte-americano Ed Markey em fevereiro de 2026, a Waymo informou manter cerca de 70 agentes de plantão simultaneamente no mundo, aproximadamente metade nos Estados Unidos e metade nas Filipinas.

A empresa ressalta que esses profissionais não dirigem os carros remotamente. Eles respondem a pedidos de informação enviados pelo sistema autônomo e fornecem orientações que o próprio veículo pode aceitar ou rejeitar.

A expansão da Waymo, portanto, mostra um contraste interessante: quanto mais autônoma a tecnologia parece para o passageiro, maior é a infraestrutura humana necessária nos bastidores. Limpeza, carregamento, manutenção, suporte e resposta a incidentes continuam essenciais para que um robotáxi volte à rua depois de cada corrida.

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