Passou no Free Flow? Cuidado com o golpe que está enganando motoristas

Pedágio eletrônico na mira dos golpistas. Entenda o risco.

A implantação do pedágio eletrônico sem cancelas (Free Flow) trouxe ganhos importantes para a mobilidade nas rodovias brasileiras, reduzindo congestionamentos e tornando as viagens mais rápidas.

No entanto, junto com a modernização, surgiu também um novo e sofisticado risco: o Golpe do Pedágio Eletrônico, uma fraude digital que já fez milhares de vítimas desde o fim de 2025.

Levantamentos recentes apontam que mais de 50 sites falsos foram criados com o objetivo de enganar motoristas que tentam regularizar a passagem pelo Free Flow.

A estratégia explora justamente a falta de familiaridade de parte da população com o novo sistema e o receio de multas e penalidades.

Como funciona o golpe do pedágio Free Flow?

Foto: iStock

O golpe do Free Flow segue um roteiro cuidadosamente planejado para parecer legítimo. Ao pesquisar termos como “pagar pedágio Free Flow” ou “regularizar pedágio eletrônico” em mecanismos de busca, o motorista se depara com links patrocinados que aparecem no topo dos resultados.

Esses anúncios direcionam para sites falsos, visualmente bem construídos, que simulam portais oficiais de concessionárias ou órgãos públicos.

O primeiro passo é a solicitação da placa do veículo. Para aumentar a credibilidade, o sistema exibe dados reais do automóvel, o que indica possível uso de informações obtidas em vazamentos de bases de dados.

Em seguida, o site informa a existência de um débito de valor baixo, compatível com tarifas reais de pedágio. O objetivo é não levantar suspeitas e induzir o pagamento imediato, quase sempre via PIX.

O dinheiro, porém, é direcionado a contas de “laranjas”, geralmente ligadas a fintechs pouco conhecidas, o que dificulta o rastreamento e a recuperação dos valores.

Pagamento falso, prejuízo real e pontos na CNH

Pedágio Free Flow (Foto: Divulgação)

O impacto desse golpe vai muito além da perda financeira imediata. Ao efetuar o pagamento no site fraudulento, o motorista acredita estar regularizado. Contudo, o débito verdadeiro permanece ativo junto à concessionária responsável pela rodovia.

Se o valor legítimo não for quitado dentro do prazo, que costuma variar entre 15 e 30 dias, conforme a via, o condutor comete a infração de evasão de pedágio, prevista no Código de Trânsito Brasileiro. As penalidades incluem:

  • Multa de R$ 195,23;
  • Registro de 5 pontos na CNH.

Ou seja, o prejuízo é duplo: o dinheiro é perdido no golpe e o motorista ainda corre o risco de sofrer sanções legais.

Como pagar o pedágio Free Flow com segurança?

Para evitar cair no golpe do pedágio eletrônico, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) orienta que os motoristas adotem medidas básicas, porém essenciais, de segurança digital.

Veja a seguir algumas recomendações fundamentais para não cair em golpes:

  • Evite links patrocinados: nunca clique em anúncios marcados como “Patrocinado” ao buscar pagamentos de taxas ou pedágios.
  • Confira o destinatário do PIX: antes de confirmar a transação, verifique o nome do recebedor. Concessionárias legítimas utilizam contas em seus próprios nomes, nunca em nome de pessoas físicas.
  • Observe a URL com atenção: sites oficiais do governo sempre terminam em .gov.br. Portais de concessionárias devem ser acessados digitando o endereço diretamente no navegador.
  • Desconfie de urgência excessiva: mensagens que pressionam para pagamento imediato costumam ser indício de fraude.

A alternativa mais eficaz para evitar qualquer risco é o uso de tags de pagamento automático, como Sem Parar, Veloe, ConectCar e Taggy.

Com essas soluções, o valor do pedágio é debitado automaticamente, sem necessidade de acessar sites, links ou aplicativos desconhecidos.

Canais oficiais para pagamento do Free Flow

Algumas concessionárias já disponibilizam canais próprios e confiáveis para consulta e quitação de débitos, como:

  • CCR RioSP (BR-101): site oficial e aplicativo da concessionária;
  • CSG (Serra Gaúcha): portal Free Flow e app oficial;
  • EPR Sul de Minas: canais digitais próprios da empresa.

Falta de opções físicas favorece golpes digitais?

Com o aumento desse tipo de fraude, cresce o debate sobre a necessidade de totens físicos de pagamento ou canais presenciais como alternativa aos meios digitais.

A ausência dessas opções acaba empurrando motoristas menos familiarizados com tecnologia para ambientes online inseguros.

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