Por que o Brasil ainda não produz baterias de carros elétricos?

Brasil pode fabricar baterias de elétricos, mas ainda falta uma peça-chave.

O Brasil já possui boa parte dos ingredientes necessários para fabricar baterias de carros elétricos, mas ainda falta transformar esse potencial em uma cadeia industrial completa.

O país tem reservas de lítio, empresas capazes de montar sistemas de armazenamento e uma indústria automotiva relevante. O principal desafio está em avançar justamente na etapa mais estratégica: a fabricação local das células de bateria.

A discussão ganhou força durante o Summit Futuro da Mobilidade 2026, que reuniu representantes de diferentes segmentos da indústria automotiva.

Lítio não é o principal obstáculo

Segundo Vinícius Alvarenga, CEO da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), a disponibilidade de matéria-prima não deve limitar o crescimento do setor.

O executivo afirma que o Brasil possui condições para extrair o lítio necessário para atender à futura demanda de fabricantes de baterias sem depender da importação desse mineral.

Ter o minério, entretanto, não significa possuir toda a cadeia produtiva. Entre a extração e uma bateria instalada no automóvel existem etapas como processamento químico, fabricação das células, montagem dos módulos, gerenciamento térmico e integração ao veículo.

Brasil possui reservas minerais importantes, como o lítio, que podem sustentar uma futura cadeia nacional de produção de baterias.

Células continuam sendo o grande gargalo

Valter Luiz Knihs, diretor de engenharia de eMobility e baterias da WEG, explica que a montagem de módulos já avança no país. O problema é que as células, consideradas o coração da bateria, continuam fortemente concentradas em fornecedores estrangeiros, especialmente asiáticos.

A WEG, inclusive, já atua na produção de packs e sistemas de armazenamento. Em 2026, anunciou uma nova fábrica de sistemas BESS em Itajaí, Santa Catarina, com capacidade prevista de até 2 GWh por ano.

Demanda precisa justificar o investimento

Construir fábricas de células exige bilhões em investimentos e escala suficiente para competir com produtores internacionais.

Por isso, executivos do setor apontam a demanda das montadoras como um dos fatores decisivos. Sem contratos de longo prazo e volume previsível de veículos eletrificados, empresas podem hesitar antes de instalar linhas industriais de grande porte no Brasil.

Também entram nessa equação incentivos, financiamento, desenvolvimento de fornecedores e políticas capazes de tornar a produção nacional competitiva.

Empresas e centros de engenharia estudam como ampliar a nacionalização das baterias e reduzir a dependência de componentes importados.

Produção local deve avançar por etapas

Representantes da ABVE e da Abipeças defendem que o Brasil possui conhecimento técnico e tradição industrial suficientes para aprofundar a nacionalização.

O caminho, porém, tende a ser gradual: primeiro vem a importação, depois a montagem local e, posteriormente, etapas de maior valor agregado.

Assim, a questão já não é apenas se o Brasil consegue fabricar baterias completas para carros elétricos, mas quando haverá escala, demanda e investimento suficientes para tornar essa produção economicamente viável. O potencial existe, o desafio agora é convertê-lo em capacidade industrial.

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