‘Sedã do povo’: fim do Chevrolet Classic no Brasil completa 10 anos
Chevrolet Classic, mesmo fora de produção, é referência de carro confiável e prático.
Ele sobreviveu ao fim da linha de montagem e ganhou vida própria no asfalto. O Chevrolet Classic transformou a despedida de fábrica em passaporte para a longevidade urbana, ocupando ruas, garagens e anúncios de usados com naturalidade rara.
Mesmo fora de produção desde 2016, o modelo não virou passado: ele ainda é referência prática de carro confiável, simples e previsível.
Encerrado em São José dos Campos (SP), o antigo Corsa Sedan construiu um capital simbólico difícil de copiar. Robustez mecânica, manutenção barata e peças abundantes criaram uma base de confiança que atravessou gerações de donos.
Assim, o Classic deixou de ser apenas um produto da GM e passou a operar como escolha racional no cotidiano brasileiro.
Em 2026, quase uma década após o adeus industrial, os preços seguem acima do esperado no mercado de usados. O motivo não é nostalgia, mas lógica econômica: custo de uso baixo, consumo controlado e risco reduzido. Nesse cenário, o Classic não vive de memória, e sim de utilidade.
A história do ‘sedã do povo’

Foto: Reprodução
A GM lançou o sedã em 1995 como Corsa Sedan, e em 2002 adotou o nome Classic. Mesmo com a chegada de Prisma e Cobalt, o veterano manteve espaço graças ao bom porta-malas de 390 litros e à manutenção descomplicada. Depois, veio o fim da montagem em 2016.
No ano da despedida, o Classic ainda figurou entre os sedãs mais vendidos e acumulou mais de 1,5 milhão de unidades produzidas no Brasil, volume que consolidou sua presença nas ruas. As vendas refletiram um pacote acessível e conhecido.
Naquela época, seus concorrentes diretos eram Fiat Siena EL Ford KA Sedan Renault Logan, todos com produção encerrada.
O conjunto mecânico de 2016
Na linha 2016, o Chevrolet Classic LS 1.0 VHCE adotou o Econo-Flex, um 1.0 que gosta de girar e entrega vigor na faixa alta. O câmbio manual de cinco marchas manteve a proposta simples. Assim, o pacote atendeu bem ao uso urbano.
| Campo | Detalhe |
|---|---|
| Motor | 1.0 VHCE (Flex) |
| Potência | 78 cv (E) / 77 cv (G) |
| Câmbio | Manual de 5 marchas |
| Itens de série | Ar-condicionado, direção hidráulica, ABS e airbag duplo |
Cores de despedida
As últimas opções de fábrica atenderam quem buscava sobriedade e facilidade de manutenção. A paleta final combinou tons clássicos e neutros, e assim o sedã fechou o ciclo com quatro acabamentos bem conhecidos.
- Branco Summit
- Cinza Mond
- Prata Switchblade
- Preto Global
Preços: 2016 x 2026
Em 2016, a tabela colocava o zero-km em R$ 34.600, e, com vidros e travas elétricas, chegava a R$ 35.640. O pacote reforçava a relação custo-benefício no segmento de entrada, fazendo com que muitos frotistas priorizassem o modelo.
Dez anos depois, as unidades 2016 aparecem entre R$ 33.000 e R$ 38.000. Entretanto, exemplares raros em estado excepcional podem alcançar R$ 43.000. Já unidades 2006 rondam R$ 15.000, segundo anúncios e capturas em plataformas como a Webmotors.
A inflação dos carros novos elevou o piso de entrada e empurrou parte da demanda para projetos simples. Além disso, a mecânica amigável do Classic atrai motoristas de aplicativo e frotistas que evitam surpresas na oficina. Assim, a liquidez permanece alta.
Vale a pena em 2026?
Mesmo com raízes nos anos 90, o Classic entrega o essencial, como ar e direção, com consumo aceitável e peças fáceis de encontrar. Isso prova que o fim em 2016 não encerrou sua história. Pelo contrário, abriu uma fase forte entre os usados no Brasil.