Motoboys ganham aumento surpresa de 30% no salário; veja quem tem direito
Entregadores e motoboys contratados passam a ter direito a um aumento de 30% no salário com a nova regulamentação de periculosidade.
A rotina de quem trabalha sobre duas rodas nas grandes cidades brasileiras sempre esteve associada a riscos constantes. Em meio ao trânsito intenso, prazos apertados e longas jornadas, motoboys e entregadores enfrentam diariamente situações que exigem atenção redobrada.
Diante desse cenário, uma mudança relevante passou a impactar diretamente esses profissionais: a concessão do adicional de periculosidade de 30% no salário para trabalhadores que utilizam motocicletas em suas atividades.
A nova regra, válida desde abril de 2026, reforça a importância da valorização profissional e da proteção financeira para aqueles que lidam com riscos elevados no exercício da função.
No entanto, nem todos os motociclistas estão contemplados pela medida, o que tem gerado dúvidas e debates em todo o país.
O que muda com o adicional de periculosidade para motociclistas
Com a atualização da regulamentação trabalhista, profissionais contratados sob o regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que utilizam motocicletas em vias públicas passam a ter direito a um acréscimo de 30% sobre o salário-base.
Esse benefício, conhecido como adicional de periculosidade, tem como objetivo compensar a exposição frequente a situações de risco, especialmente em ambientes urbanos, onde o índice de acidentes envolvendo motociclistas é significativamente elevado.
A iniciativa busca equilibrar a relação entre risco e remuneração, promovendo mais segurança econômica para esses trabalhadores.
Quem tem direito ao aumento de 30% no salário

Foto: Divulgação/Detran-SP
O benefício não é automático para todos os motociclistas. Para ter direito ao adicional de periculosidade, é necessário atender a critérios específicos:
- Estar formalmente contratado pelo regime CLT;
- Utilizar a motocicleta como ferramenta principal de trabalho;
- Exercer atividades em vias públicas, com exposição direta ao trânsito;
- Ter a atividade caracterizada como de risco por meio de avaliação técnica.
Profissionais como motoboys, entregadores contratados e mensageiros corporativos são os principais beneficiados pela nova regra.
Quem fica de fora da nova regulamentação
Apesar do avanço, a medida não contempla todos os trabalhadores que utilizam motocicletas. Ficam excluídos:
- Profissionais autônomos ou que atuam por aplicativos, sem vínculo formal;
- Trabalhadores que utilizam motocicletas apenas para deslocamento pessoal (casa-trabalho);
- Pessoas que operam exclusivamente em áreas privadas ou ambientes controlados.
Essa delimitação existe porque o foco da legislação é proteger aqueles que estão expostos diretamente ao trânsito urbano, considerado um ambiente de maior risco.
A importância do laudo técnico para garantir o benefício
Um ponto essencial para a concessão do adicional de periculosidade é a elaboração de um laudo técnico especializado. Esse documento deve ser produzido por um:
- Médico do trabalho;
- Engenheiro de segurança do trabalho.
O laudo tem a função de comprovar que a atividade exercida realmente expõe o trabalhador a condições perigosas. Esse processo garante maior segurança jurídica tanto para o empregado quanto para a empresa, evitando pagamentos indevidos ou ausência do benefício quando ele é necessário.
Impactos da medida no mercado de trabalho

Foto: Divulgação/Detran-SP
A implementação do adicional representa um passo importante na valorização dos profissionais que utilizam motocicletas como instrumento de trabalho. Além de melhorar a renda, a medida também estimula empresas a adotarem práticas mais seguras e responsáveis.
Por outro lado, a exclusão de trabalhadores informais evidencia um desafio estrutural do mercado brasileiro: a alta presença de profissionais sem vínculo empregatício, que continuam sem acesso a benefícios como esse.
Avanço importante, mas com limitações
A criação do adicional de periculosidade para motociclistas em 2026 marca um avanço significativo na proteção dos trabalhadores expostos a riscos no trânsito. No entanto, a medida ainda não alcança todos os profissionais do setor, especialmente os autônomos.
Diante disso, o acompanhamento contínuo por parte das empresas, trabalhadores e órgãos reguladores será essencial para garantir a correta aplicação da norma e ampliar, no futuro, a proteção a um número ainda maior de profissionais.