Motoristas da Uber têm prazo de validade? CEO da empresa diz eles sumirão em 2 décadas
Uber aposta em transição para veículos autônomos em até vinte anos. Mas será possível?
O modelo de transporte por aplicativo, que transformou a mobilidade urbana ao longo da última década, pode estar prestes a viver sua maior ruptura.
Aquilo que começou como uma revolução baseada em motoristas humanos conectados por tecnologia agora aponta para um futuro dominado por inteligência artificial e veículos autônomos.
Em uma entrevista recente ao Wall Street Journal, o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, foi direto ao projetar um cenário em que a figura do motorista humano tende a desaparecer gradualmente das plataformas.
CEO da Uber prevê o fim dos motoristas humanos em até duas décadas

Foto: Gemini
Segundo Khosrowshahi, a substituição não é apenas uma ambição tecnológica, mas uma consequência natural da evolução dos sistemas de condução autônoma.
Com mais de sete milhões de motoristas cadastrados apenas nos Estados Unidos, a Uber enxerga na automação o próximo grande salto em eficiência, segurança e escalabilidade.
Para o executivo, a vantagem das máquinas é clara. “Robôs não se distraem”, afirmou, ao destacar que os algoritmos são treinados com volumes massivos de dados, equivalentes à experiência acumulada de milhões de vidas humanas ao volante. Essa capacidade de aprendizado contínuo, segundo ele, permite decisões mais rápidas e previsíveis no trânsito.
Inteligência artificial como eixo central da mobilidade do futuro
A inteligência artificial no transporte urbano surge como o pilar dessa transformação. Sensores, câmeras, radares e sistemas de processamento avançado permitem que veículos autônomos analisem o ambiente em tempo real, identifiquem riscos e ajustem trajetórias com precisão milimétrica.
Ainda assim, a Uber reconhece que essa mudança não ocorrerá de forma repentina. A empresa trabalha com um horizonte de 10 a 20 anos para que a transição seja concluída de maneira progressiva e socialmente viável.
Etapas previstas para a substituição dos motoristas
O cronograma traçado pela companhia indica duas fases principais:
- Próxima década: consolidação de uma rede híbrida, na qual motoristas humanos e veículos autônomos compartilharão as rotas, especialmente em grandes centros urbanos.
- Após 2035: avanço acelerado da automação, com redução significativa da mão de obra humana e domínio crescente da tecnologia autônoma.
Segurança em debate: humanos versus máquinas
Um dos principais argumentos a favor da automação é a segurança no trânsito. No entanto, os dados atuais mostram que o tema ainda está longe de um consenso absoluto.
Um estudo da Universidade da Califórnia, que analisou milhares de incidentes, revelou que carros autônomos tendem a ser mais cautelosos em situações comuns do tráfego urbano.
Por outro lado, a pesquisa também apontou vulnerabilidades específicas. Os veículos autônomos apresentaram maior propensão a colisões em horários de baixa visibilidade, como durante a madrugada e o amanhecer, quando sensores podem enfrentar desafios adicionais.
Testes já em andamento e o impacto global
Hoje, essa tecnologia já opera de forma assistida em cidades como Las Vegas, onde frotas experimentais realizam viagens controladas.
A ambição da Uber, no entanto, é transformar essas iniciativas pontuais em um padrão global, redefinindo completamente o conceito de mobilidade urbana.
Se a projeção do CEO se concretizar, o impacto será profundo: mudanças no mercado de trabalho, novas regulações, debates éticos e uma redefinição do papel humano no transporte.
O que antes parecia ficção científica agora se apresenta como um futuro inevitável, no qual a tecnologia não apenas auxilia, mas assume o volante.