‘Pix ou cancelo’: passageiros expõem novo abuso em corridas de app

Entenda o que está por trás da ‘corrida por fora’ nos apps de transporte.

Moradores e visitantes que circulam pelo Triângulo do Crajubar, formado por Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, vêm enfrentando uma situação cada vez mais comum ao solicitar transporte por aplicativo: a exigência de pagamentos adicionais fora do valor exibido no app.

Relatos indicam que motoristas aceitam a corrida, mas condicionam a viagem ao pagamento de taxas extras via Pix ou dinheiro, valores que, em alguns casos, chegam a ser até cinco vezes maiores do que o preço original calculado pela plataforma.

A prática tem gerado indignação, insegurança e desconfiança entre passageiros, além de levantar alertas sobre cobrança abusiva, descumprimento de regras e falhas na fiscalização.

O ‘adicional por Pix’: como funciona a cobrança fora do aplicativo

Foto: iStock

De acordo com denúncias encaminhadas à imprensa local, o método adotado pelos motoristas segue um padrão. Logo após aceitar a corrida, o condutor entra em contato pelo chat interno da plataforma e informa que só realizará a viagem mediante o pagamento de um valor extra, geralmente solicitado fora do aplicativo.

“Se a gente não aceita ou tenta negociar, eles cancelam a corrida. Muitas vezes, somos obrigados a pagar para não ficar sem transporte”, relatou um morador da região, que preferiu não se identificar.

Essa dinâmica tem transformado o que deveria ser uma corrida comum em uma negociação forçada, colocando o passageiro em posição de vulnerabilidade, especialmente em horários noturnos ou locais com pouca oferta de veículos.

Turistas relatam cobranças desproporcionais e cancelamentos imediatos

Casos envolvendo turistas chamam ainda mais atenção pela discrepância entre o valor original da corrida e o adicional exigido.

Uma visitante relatou que, para um trajeto de aproximadamente 2 quilômetros, inicialmente orçado em R$ 8,00, o motorista solicitou uma “gorjeta” de R$ 20,00.

Ao tentar negociar o valor para R$ 15,00, a corrida foi cancelada imediatamente, deixando a passageira sem alternativa de transporte naquele momento. Situações como essa reforçam a sensação de abuso e prejudicam a imagem turística da região.

Motoristas alegam baixo repasse das plataformas

Do lado dos condutores, a principal justificativa apresentada é o baixo repasse financeiro das plataformas de transporte.

Segundo relatos, motoristas afirmam que as empresas retêm até 45% do valor da corrida, o que tornaria trajetos curtos ou corridas em horários de pico pouco vantajosas, especialmente diante dos custos com combustível, manutenção e impostos.

Embora os desafios econômicos enfrentados pelos motoristas sejam reais, especialistas alertam que cobranças fora do aplicativo caracterizam irregularidade e colocam passageiros em risco.

Medo de denunciar agrava o problema

Um ponto considerado alarmante é o silêncio de parte dos passageiros. Muitos usuários admitem não registrar reclamações nos canais oficiais por medo de represálias, já que os motoristas têm acesso a informações sensíveis, como endereços de embarque e desembarque.

Esse receio contribui para a continuidade da prática e dificulta ações mais efetivas de fiscalização por parte das plataformas.

O que diz a Uber sobre as cobranças extras

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Em posicionamento oficial, a Uber foi categórica ao afirmar que qualquer cobrança além do valor exibido no aplicativo é proibida e configura violação direta dos Termos e Condições de Uso.

A empresa reforça que:

  • Nenhum valor extra pode ser exigido fora do aplicativo;
  • Usuários devem reportar imediatamente o ocorrido pelo menu de ajuda;
  • A plataforma utiliza tecnologia de monitoramento para identificar viagens suspeitas;
  • Motoristas que descumprem as regras podem ser advertidos ou banidos.

O avanço das cobranças abusivas em corridas por aplicativo no Crajubar expõe um problema que vai além do preço: envolve segurança, transparência e confiança. Denunciar é fundamental para que as plataformas consigam agir e preservar a integridade do serviço.

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