Por que os carros híbridos ainda não têm preços populares no Brasil?
Conheça os desafios para tornar os carros híbridos acessíveis no Brasil, incluindo fatores como tecnologia, tributação e infraestrutura.
O mercado automotivo brasileiro tem enfrentado desafios significativos para tornar os carros híbridos acessíveis, com preços populares. Mesmo com a crescente demanda por veículos ambientalmente sustentáveis, os custos associados à tecnologia híbrida continuam a ser um obstáculo.
Recentemente, uma discussão aprofundada no Fórum Direções Quatro Rodas lançou luz sobre esses entraves. Durante o evento, Sergio Habib, CEO da JAC Motors no Brasil, destacou aspectos cruciais que impactam o preço dos híbridos no país.
Segundo ele, o sistema complexo que integra motores a combustão e elétricos eleva consideravelmente os custos. Além disso, a tributação desfavorável para motores com maior cilindrada também contribui para o preço elevado.
A tributação sobre Produtos Industrializados (IPI) é outro fator crítico. Carros com motores acima de 1.0 pagam impostos mais altos em comparação aos de menor cilindrada. Os veículos híbridos, geralmente equipados com motores de combustão a partir de 1.5 litros, acabam sendo penalizados.
Essa diferença tributária existe desde 1993 e não favorece a popularização dos híbridos.
O papel da tecnologia e a tributação
No Brasil, os tipos de híbridos variam entre leve, pleno e plug-in, com custos que aumentam conforme a tecnologia incorporada. Atualmente, o modelo mais barato, o Fiat Pulse Hybrid, custa R$ 129.990, distante de um preço considerado popular.
As soluções tecnológicas precisam conversar de forma eficiente, um desafio que se reflete nos preços.
Habib enfatiza a necessidade de motores 1.0 flex para reduzir custos. Sem essa adaptação, a presença dos veículos chineses no mercado brasileiro dificilmente ultrapassará 10%.
A chegada de carros híbridos com preços abaixo de R$ 160 mil é vista como essencial para impulsionar suas vendas.
Modelos híbridos populares e estratégias futuras
Em 2024, os modelos GWM Haval H6 e BYD Song Plus lideraram as vendas de híbridos, com preços acima de R$ 200 mil. Entretanto, a BYD planeja produzir seu primeiro híbrido flex, o BYD Song Pro, em Camaçari, na Bahia.
Essa estratégia visa reduzir custos de importação e o IPI, tornando o mercado brasileiro mais atrativo para híbridos. A produção local e o desenvolvimento de tecnologias acessíveis são estratégias para reduzir o custo desses modelos no mercado brasileiro.
A expectativa é que, a partir dessas iniciativas, os preços se tornem mais competitivos, impulsionando a adesão dos consumidores e contribuindo para um mercado mais sustentável no longo prazo.