Gelo e falta de atenção: relatório revela os 15 erros que levaram à queda do avião da Voepass

Investigadores revelam a cadeia de falhas que fez o ATR da Voepass cair na cidade de Vinhedo.

O relatório final do Cenipa sobre o acidente com o ATR 72-600 da Voepass, que caiu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024, concluiu que a tragédia que deixou 62 mortos foi provocada por uma combinação de falhas técnicas, operacionais e organizacionais.

Em vez de apontar uma única causa, os investigadores identificaram uma sucessão de erros que comprometeram a segurança do voo e impediram que a tripulação revertesse a situação crítica.

Ao todo, o documento analisou 19 fatores contribuintes, dos quais 15 foram considerados determinantes para o acidente. O objetivo da investigação não é atribuir responsabilidades civis ou criminais, mas identificar vulnerabilidades capazes de evitar novas tragédias na aviação brasileira.

15 fatores que contribuíram para o acidente da VoePass

Gelo não foi o único culpado: relatório revela o que realmente derrubou o ATR da Voepass (Foto: Reprodução)

Segundo o relatório, estes foram os principais erros identificados:

  1. Manutenção da aeronave: a falha no sistema de degelo não foi registrada, permitindo que o avião decolasse em condições inadequadas.
  2. Processos organizacionais: a empresa não transformou dados de voos anteriores em medidas preventivas.
  3. Aplicação dos comandos: durante o estol, os pilotos executaram comandos opostos aos recomendados pelo fabricante.
  4. Planejamento de voo: a aeronave foi mantida em uma altitude com previsão de gelo severo.
  5. Atuação da ANAC: auditorias anteriores apontaram falhas que não resultaram em medidas suficientes para reduzir os riscos.
  6. Cultura do grupo de trabalho: alertas frequentes acabaram sendo tratados como algo rotineiro.
  7. Julgamento de pilotagem: a tripulação não solicitou descida imediata nem declarou emergência.
  8. Supervisão gerencial: práticas inadequadas na manutenção e na operação deixaram de ser corrigidas.
  9. Cultura organizacional: procedimentos informais enfraqueceram a cultura de segurança.
  10. Atenção: conversas paralelas reduziram o foco nos alertas emitidos pela aeronave.
  11. Processo decisório: decisões importantes foram tomadas sem avaliação adequada dos riscos.
  12. Atitude profissional: a tripulação prosseguiu com o voo mesmo diante de condições desfavoráveis.
  13. Coordenação de cabine: houve falhas na comunicação e na divisão de tarefas entre os pilotos.
  14. Percepção situacional: os sinais de perda de desempenho da aeronave não foram interpretados corretamente.
  15. Condições meteorológicas adversas: o gelo intenso agravou a perda de sustentação e acelerou a sequência de eventos.

Diante das investigações, o Cenipa emitiu seis recomendações voltadas ao fabricante do ATR e à ANAC, incluindo mudanças nos procedimentos para voos em condições de gelo, aperfeiçoamento dos sistemas de alerta e revisão de normas operacionais. A expectativa é fortalecer a segurança aérea e reduzir o risco de acidentes semelhantes no futuro.

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