Golpe do Free Flow cresce no Brasil e quase 500 sites falsos já cobram pedágio por Pix
Sites fraudulentos simulam cobranças de pedágio via PIX, aproveitando-se do sistema 'free flow' para enganar motoristas.
O avanço do pedágio eletrônico free flow nas rodovias brasileiras trouxe mais praticidade para os motoristas, mas também abriu espaço para um novo tipo de fraude.
Levantamento da Kaspersky identificou 480 sites falsos que simulam cobranças do sistema em 2026. As páginas imitam serviços legítimos, pedem a placa do veículo e exibem supostos débitos para induzir o pagamento via Pix.
Como funciona o golpe do free flow?
O esquema costuma começar quando o motorista pesquisa na internet como pagar uma passagem pendente. Criminosos usam anúncios patrocinados, links em redes sociais e páginas com aparência profissional para atrair a vítima.
Ao acessar o site, o usuário informa a placa do carro. Em seguida, a página exibe uma cobrança aparentemente compatível com o valor de um pedágio real e oferece um QR Code ou chave Pix para pagamento. Segundo a Kaspersky, valores baixos ajudam a reduzir a desconfiança e tornam a fraude mais convincente.
O dinheiro, porém, é enviado para contas controladas por criminosos ou por “laranjas”. Em alguns casos, as páginas também exibem dados reais do veículo para reforçar a aparência de legitimidade.

Quase 500 sites falsos imitam o Free Flow e tentam roubar motoristas pelo Pix (Foto: Reprodução)
Aplicativo CNH do Brasil ajuda na consulta
Desde 24 de agosto de 2026, o aplicativo CNH do Brasil permite consultar passagens registradas em sistemas free flow integrados. A ferramenta mostra informações como data da passagem, concessionária responsável, situação da tarifa e o canal indicado para pagamento.
O próprio aplicativo, porém, não recebe o pagamento. Ele direciona o usuário ao canal oficial disponibilizado pela concessionária. Essa centralização reduz a necessidade de procurar sites aleatórios na internet e pode diminuir a exposição a páginas fraudulentas.
Como evitar cair em sites falsos
A recomendação principal é não confiar em links recebidos por mensagem, redes sociais ou anúncios sem conferir a origem. Sempre verifique a passagem pelo aplicativo CNH do Brasil ou pelos canais oficiais da concessionária responsável pela rodovia.
Antes de confirmar qualquer Pix, confira com atenção o nome ou razão social do recebedor. Cobranças direcionadas para pessoas físicas ou destinatários estranhos devem levantar suspeita.
Quem utiliza tag automática deve seguir o sistema de cobrança da operadora já vinculada ao veículo, sem pagar novamente por páginas externas.

Golpistas usam placa do carro e Pix para aplicar fraude do pedágio eletrônico.
Caiu no golpe? Aja rapidamente
Se o pagamento já foi feito e houver suspeita de fraude, o motorista deve entrar em contato imediatamente com o banco e solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. Também é recomendável registrar boletim de ocorrência e guardar comprovantes, capturas de tela e dados da transação.
Com quase 500 páginas fraudulentas identificadas, o cuidado mais importante é simples: nunca pagar uma cobrança de free flow antes de confirmar a passagem em um canal oficial.