Salário mínimo é de R$ 1.621, mas encher o tanque já pesa cada vez mais no bolso
Motoristas mudam jeito de abastecer depois que tanque cheio passa dos R$ 200.
Parar no posto e pedir para completar o tanque virou uma decisão que exige planejamento para muitos motoristas de Belo Horizonte. Dependendo do automóvel e do combustível escolhido, um único abastecimento pode consumir entre R$ 200 e R$ 250, valor especialmente pesado para quem utiliza o veículo diariamente para trabalhar.
Relatos recentes de consumidores da capital mineira mostram que o combustível passou a ocupar uma parcela importante do orçamento mensal.
Tanque de 35 litros já custou R$ 216
Entre os exemplos registrados está o de uma motorista que utiliza o automóvel profissionalmente e desembolsou R$ 216 para completar um tanque de 35 litros. Segundo seu relato, no mês anterior havia gastado aproximadamente R$ 170 em abastecimento semelhante.
Para ela, a despesa com combustível já representa aproximadamente 20% do faturamento. Como o carro faz parte da rotina profissional, reduzir drasticamente os deslocamentos nem sempre é uma alternativa.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acompanha semanalmente os preços praticados nos postos brasileiros, inclusive por município, mostrando que os valores podem variar de estabelecimento para estabelecimento e ao longo das semanas.

Tanque cheio pode consumir mais de 10% do salário mínimo em um único abastecimento.
Quem trabalha dirigindo sente ainda mais
Profissionais que passam boa parte do dia ao volante enfrentam impacto maior. Instrutores de autoescola, por exemplo, podem acumular gastos mensais próximos de R$ 800, segundo os relatos reunidos na capital mineira. Em alguns casos, essa despesa corresponde a cerca de 30% do faturamento da atividade.
Taxistas também precisam fazer contas constantemente. Para alguns profissionais, completar metade do tanque pode representar aproximadamente R$ 170, enquanto encher completamente o reservatório se aproxima de R$ 250.
Abastecer R$ 50 por vez virou estratégia
Diante do preço elevado para completar o tanque, alguns motoristas passaram a colocar R$ 50 ou outro valor fixo por abastecimento, em vez de desembolsar mais de R$ 200 de uma só vez.
A estratégia pode facilitar o controle do orçamento imediato, mas existe um detalhe importante: abastecer em pequenas quantidades não reduz necessariamente o custo total. Se o preço do litro permanecer igual, o motorista apenas distribui a mesma despesa entre várias visitas ao posto.

Brasileiros estão gastando até R$ 250 para encher o tanque do carro.
Como gastar menos combustível no cotidiano
Para diminuir o impacto, vale comparar preços entre postos confiáveis, manter os pneus calibrados, evitar acelerações bruscas, retirar peso desnecessário do veículo e planejar os trajetos.
Para quem trabalha com o automóvel, cada centavo de diferença no litro ganha importância quando multiplicado por dezenas ou centenas de litros ao longo do mês.
Em Belo Horizonte, portanto, a alta despesa para encher o tanque deixou de ser apenas uma preocupação na bomba: tornou-se um custo capaz de interferir diretamente no orçamento doméstico e na renda de quem depende do carro para trabalhar.