Roubos e furtos de carros elétricos crescem no Brasil e preocupam proprietários
Aumento de roubos e furtos de veículos elétricos e híbridos nas capitais brasileiras exige atenção redobrada e estratégias de proteção para os proprietários.
O crescimento dos carros elétricos e híbridos no Brasil trouxe um novo desafio: o avanço de roubos e furtos envolvendo modelos eletrificados.
Isso, porém, não significa que esses veículos sejam mais fáceis de levar. Especialistas apontam que a alta acompanha a expansão da frota e a maior familiaridade dos criminosos com tecnologias antes menos comuns nas ruas.
Ocorrências cresceram mais que a frota
Segundo dados citados pela ABVE, a frota acumulada de veículos eletrificados passou de 445,9 mil unidades em maio de 2025 para 765,9 mil em maio de 2026, avanço de 71,7%.
Em São Paulo, levantamento da Ituran Brasil com base em registros da SSP-SP apontou 101 ocorrências entre janeiro e maio de 2026, contra 44 no mesmo período de 2025, alta de 129%. A capital concentrou 74 casos.
Para Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o aumento não prova maior vulnerabilidade. Na avaliação do executivo, criminosos passaram a conhecer melhor esses automóveis e seus sistemas eletrônicos.

Roubo de eletrificados cresce mais que a frota e preocupa proprietários.
Bateria não é simples de retirar
Apesar de ser um dos componentes mais caros, a bateria de alta tensão não costuma ser removida rapidamente durante o furto. Ela fica integrada ao assoalho, é pesada e exige procedimentos de segurança, ferramentas adequadas e desenergização do sistema.
Por isso, a preocupação maior recai sobre o roubo ou furto do veículo completo, que depois pode ser desmontado para abastecer o mercado ilegal de peças. A recomendação é evitar baterias usadas de origem desconhecida e serviços sem especialização.
Cabos dos eletropostos também viraram alvo
Outro problema surgiu na infraestrutura de recarga. Cabos de carregadores foram furtados em Curitiba, Florianópolis e Brasília, principalmente por causa do cobre presente na fiação.
Empresas do setor já adotam reforços metálicos, compartimentos protegidos e monitoramento para reduzir ocorrências e o tempo de inatividade dos eletropostos.

Não é só a bateria: cabos carregadores de carros elétricos viraram alvo de criminosos.
Como diminuir a exposição ao risco
Os cuidados são semelhantes aos indicados para qualquer automóvel. Prefira estacionar em locais iluminados e movimentados, não deixe celulares ou bolsas visíveis e confirme o travamento das portas.
Na chegada ou saída de casa, observe o entorno antes de abrir o portão. Rastreadores, alarmes, imobilizadores e travas visíveis podem complementar os sistemas originais do carro. Também vale planejar trajetos e evitar permanecer parado por muito tempo em áreas isoladas.
A conclusão é importante: a alta dos roubos de carros elétricos merece atenção, mas não há base para afirmar que a tecnologia elétrica, sozinha, torne esses veículos mais fáceis de roubar. O risco está ligado principalmente ao crescimento da frota, ao valor dos modelos e à adaptação dos criminosos.