Pague 2, leve 1: financiar um carro de R$ 150 mil pode fazer você pagar o valor de outro 0 km
A alta taxa de juros no Brasil impacta significativamente o financiamento de veículos, aumentando o custo total de aquisição.
Um carro de R$ 150 mil pode terminar custando mais de R$ 236 mil quando entra em cena um financiamento longo e com juros elevados.
Na prática, a diferença de aproximadamente R$ 86 mil entre o preço à vista e o desembolso final já é suficiente para comprar alguns dos automóveis zero-quilômetro mais baratos vendidos atualmente no Brasil.
Cinco anos de financiamento mudam completamente a conta
Considerando uma entrada de 20%, equivalente a R$ 30 mil, restam R$ 120 mil para financiar. Com taxa de 1,98% ao mês e prazo de 60 meses, a prestação fica em aproximadamente R$ 3.435.
Somadas as parcelas e a entrada, o consumidor desembolsa cerca de R$ 236.128. Ou seja, são aproximadamente R$ 86.128 além do preço original do veículo.
A taxa de 1,98% representa a média de novas operações de crédito para aquisição de veículos por pessoas físicas acompanhada pelo Banco Central, ponderada pelo valor efetivamente concedido.

Comprar carro financiado pode custar um segundo veículo sem você perceber (Foto: Shutterstock)
Diferença equivale ao preço de outro carro
Para dimensionar o impacto, o Renault Kwid Evolution aparece atualmente em oferta a partir de R$ 71.190, mediante condições específicas da montadora.
Isso significa que apenas o valor adicional desembolsado na simulação supera o preço promocional de um carro zero-quilômetro de entrada.
E R$ 150 mil já está muito próximo da realidade média do mercado brasileiro. Dados da Bright Consulting apontam que o preço médio efetivamente pago por um veículo novo chegou a aproximadamente R$ 152,1 mil em 2026.
Alongar o prazo reduz parcela, mas aumenta custo
Prazos maiores tornam a prestação aparentemente mais confortável, porém mantêm o saldo financiado exposto aos juros durante mais tempo.
Dados da Trillia, da B3, mostram que o prazo médio dos contratos de automóveis e comerciais leves chegou a 47,2 meses no primeiro semestre de 2026, acima dos 46,3 meses registrados um ano antes. Por isso, uma diferença de poucos décimos na taxa mensal pode representar milhares de reais ao final do contrato.

Carro novo financiado: a diferença entre o preço à vista e o total pode assustar (Foto: iStock)
Taxa anunciada nem sempre conta toda a história
O consumidor também precisa observar o Custo Efetivo Total (CET). Ele incorpora não apenas os juros, mas tarifas, seguros e outros encargos incluídos na operação.
Promoções de montadoras podem oferecer juros muito menores, porém normalmente exigem entrada elevada ou condições específicas. A própria Renault, por exemplo, anuncia o Kwid com taxa de 0,49% ao mês em uma modalidade que exige 50% de entrada.
Antes de financiar, portanto, vale comparar entrada, prazo, CET e valor total pago. A parcela pode parecer administrável, mas é o custo final que revela quanto o carro realmente custará.