Frear só no radar? ANTT suspende testes de sistema que calcula a velocidade pelo trajeto
ANTT interrompe temporariamente testes de radares de velocidade média em rodovias para ajustes técnicos e melhorias operacionais.
O projeto que pretende avaliar a velocidade dos veículos ao longo de um percurso, em vez de apenas diante de um radar, foi interrompido temporariamente.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu os testes de radares de velocidade média em rodovias concedidas para revisar aspectos técnicos, operacionais e de comunicação com os motoristas.
A decisão foi divulgada em 18 de setembro. Segundo a agência, nenhum condutor recebeu multa ou outra penalidade com base nesse sistema, que tinha finalidade exclusivamente experimental.
Por que os testes foram interrompidos?
A pausa permitirá analisar o funcionamento do projeto e aprimorar procedimentos relacionados à sinalização dos trechos monitorados e às informações transmitidas aos usuários.
No comunicado, a ANTT não estabeleceu uma data para retomada. Os próximos passos serão divulgados após a conclusão dos ajustes. A suspensão foi apresentada como temporária, sem anúncio de encerramento definitivo da iniciativa.

Projeto experimental de monitoramento por velocidade média não gerou multas aos motoristas, segundo a ANTT.
Como funciona a medição por trecho?
O radar convencional registra a velocidade em um ponto específico. Já o controle por média relaciona a distância entre pontos de monitoramento ao tempo que o veículo leva para percorrê-la.
Em um exemplo hipotético, um automóvel que percorre dez quilômetros em seis minutos registra média de 100 km/h. Assim, reduzir a velocidade apenas diante do equipamento não necessariamente mantém a média do percurso dentro do limite.
A tecnologia permite estudar o comportamento dos condutores ao longo de um segmento, ampliando a observação para além da passagem pelo radar.
Quais estados estavam previstos?
A relação de locais autorizados para os projetos-piloto abrangia oito estados:
- Espírito Santo: BR-101;
- Goiás: BR-414;
- Mato Grosso do Sul: BR-163;
- Minas Gerais: BR-050, BR-381, BR-116 e BR-040;
- Paraná: BR-163, BR-277, BR-376, PR-444, PR-862 e PR-151;
- Rio de Janeiro: BR-101, incluindo a Ponte Rio-Niterói, e BR-116;
- Rio Grande do Sul: BR-386;
- Santa Catarina: BR-101.
Esses pontos integravam o planejamento dos experimentos, agora suspensos.
O que seria avaliado antes de qualquer avanço?
As concessionárias deveriam enviar relatórios mensais à Superintendência de Infraestrutura Rodoviária, responsável pelo acompanhamento técnico. A análise incluiria confiabilidade dos registros, funcionamento dos equipamentos, comportamento dos usuários e desempenho operacional.
No caso da ViaCosteira, em Santa Catarina, a autorização previa 180 dias de experimento, contados da implantação efetiva e do início do monitoramento. Portanto, esse prazo não deve ser interpretado como uma contagem nacional automaticamente iniciada em 11 de setembro.

ANTT informou que divulgará os próximos passos dos testes após concluir os aprimoramentos.
Os equipamentos poderiam aplicar multas?
Nesta etapa, os registros de velocidade média não poderiam fundamentar penalidades. Uma eventual utilização para fiscalização dependerá de avaliações técnicas, regulatórias e jurídicas, além das autorizações necessárias.
Por fim, a ANTT relaciona o projeto à segurança viária e à meta internacional de reduzir em pelo menos 50% as mortes e lesões no trânsito até 2030.